segunda-feira, 23 de setembro de 2013



O pão e o vinho são elementos proféticos nas Escrituras. Aparecem já no primeiro livro da Bíblia, quando o sacerdote Melquisedeque celebra a primeira Ceia da História (Gn 14:18).
O pão e o vinho simbolizam o Corpo do Senhor Jesus. O pão é feito do grão de trigo moído, e o vinho da uva espremida. Tanto o pão quanto o vinho têm algo em comum: o elemento que compõe a matéria prima de ambos tem que ser triturado antes de dar à luz o seu produto final, o que profeticamente aponta para o castigo de Cristo no Calvário que nos trouxe a paz. Como ele, carregamos sua cruz, morrendo para as vaidades da vida e para nossas imoralidades. Como Ele, andamos em singeleza de coração e santidade de vida. Somos o grão de trigo que necessita morrer para poder dar seu fruto (Jo 12:24). Somos a uva que necessita ser espremida para poder dar o vinho que alegra a alma e faz o rosto brilhar (Salmo 104:15).
O pão e o vinho são os elementos principais da Ceia do Senhor. Muito mais além de somente apontar para a morte de Cristo, a Santa Ceia aponta para a glória de sua ressurreição na Igreja, que é o seu Corpo. Se não tomarmos seu Sangue e não ingerirmos de sua Carne, não temos vida em nós mesmos (Jo 6:48-57). Mas quando tomarmos seu Sangue e ingerirmos de sua Carne, recebemos a Vida e formamos um só Pão na terra (1 Cor 10:17), o Pão vivo que vem do céu (Jo 6:51). A Carne e o Sangue são o combustível de nossa alma, a Árvore da Vida que foi perdida no Jardim do Éden e nos foi devolvida por meio do Filho. É o símbolo de nossa união com Cristo, por meio da qual nos tornamos um com Ele assim como Ele é um com o Pai (Jo 17:21-23). A Ceia do Senhor é o ato profético que aponta para este momento. Como sua Noiva, a Igreja que somos, somos feitos uma só carne com Ele ao ingerirmos de sua Carne e tomarmos seu Sangue, recebendo em nós o sêmen divino da Vida, tornando-nos depositários da Glória que lhe foi dada em carne, para que o mundo creia que o Pai enviou o Filho, e que o Filho enviou a nós.
O pão e o vinho também são elementos principais nos banquetes cotidianos da Igreja neotestamentária. A vida daEkklesia bíblica não girava em torno de eventos religiosos, e sim em torno da mesa da comunhão. Neste sentido, aEkklesia se parece mais com um enorme banquete em família do que com as rígidas e gélidas instituições religiosas de nossos dias. Ao partir o pão e compartilhar o vinho, os santos compartilham suas vidas. Se buscarmos nas Escrituras alguma diretriz acerca de como realizar um culto, nada encontraremos, pois a ênfase da Igreja neotestamentária estava na convivência dos santos e relacionamentos profundos, por meio dos quais juntas e medulas interligadas formam o Corpo de Cristo na terra (Ef. 2:21-22). A Ekklesia bíblica não pode ser representada por um edifício, ou um evento domingueiro. Sua verdadeira imagem é a de uma família que se reúne para comer pão e beber vinho, juntos buscando a Deus em simplicidade de coração e ortodoxia.
Pão e Vinho reflete o clamor por uma Igreja que encarne os princípios acima: santidade, Vida, comunhão e simplicidade.

Os cristãos e a responsabilidade social - Reflexões sobre o Pacto de Lausanne

                                         

                                            A RESPONSABILIDADE SOCIAL CRISTÃ

 Afirmamos que Deus é o Criador e o Juiz de todos os homens. Portanto, devemos partilhar o seu interesse pela justiça e pela conciliação em toda a sociedade humana, e pela libertação dos homens de todo tipo de opressão. Porque a humanidade foi feita à imagem de Deus, toda pessoa, sem distinção de raça, religião, cor, cultura, classe social, sexo ou idade possui uma dignidade intrínseca em razão da qual deve ser respeitada e servida, e não explorada. Aqui também nos arrependemos de nossa negligência e de termos algumas vezes considerado a evangelização e a atividade social mutuamente exclusivas. Embora a reconciliação com o homem não seja reconciliação com Deus, nem a ação social evangelização, nem a libertação política salvação, afirmamos que a evangelização e o envolvimento sócio-político são ambos parte do nosso dever cristão. Pois ambos são necessárias expressões de nossas doutrinas acerca de Deus e do homem, de nosso amor por nosso próximo e de nossa obediência a Jesus Cristo. A mensagem da salvação implica também uma mensagem de juízo sobre toda forma de alienação, de opressão e de discriminação, e não devemos ter medo de denunciar o mal e a injustiça onde quer que existam. Quando as pessoas recebem Cristo, nascem de novo em seu reino e devem procurar não só evidenciar mas também divulgar a retidão do reino em meio a um mundo injusto. A salvação que alegamos possuir deve estar nos transformando na totalidade de nossas responsabilidades pessoais e sociais. A fé sem obras é morta." (Pacto de Lausanne)
Esse documento possui 15 artigos e reafirma temas fundamentais para a igreja cristã, especialmente a evangelização e responsabilidade social da igreja.
Ainda hoje, passado todos esses anos, não há duvida que o Pacto de Lausanne é como um estrondeante instrumento que ainda ecoa aos ouvidos da igreja na finalidade de que a mesma seja despertada para enfrentar os desafios atuais, pois mesmo depois de quase quatro décadas de sua promulgação os desafios ainda existem e precisam ser superados. Esses desafios são gerais e também de ordem particular nos indivíduos que se reconhecem como igreja.
Assim, inúmeros são os desafios que tem se colocado diante da igreja atualmente. Talvez, o maior de todos esses desafios é conscientizar cada membro do corpo de Cristo a se tornar um cristão relevante, que venha investir todos os seus dons e talentos em prol de sua comunidade, e num sentido mais amplo, para a própria sociedade. Para isso, é preciso procurar conhecer, estudar e se engajar diante das demandas sociais e políticas de nossas comunidades, levantando uma voz de consolo e esperança para pessoas sofridas e necessitadas.
Outro desafio a ser enfrentado, é reafirmar não só em discurso, mas em atividades também todos os artigos do Pacto de Lausanne, principalmente no que diz respeito a evangelização mundial, pois apesar da notoriedade que esse pacto trouxe ao evangelismo e missões, as igrejas locais têm feito muito pouco com respeito a isso. Precisa-se fazer muito mais para alcançar pessoas e nações com o Evangelho, acreditando que esse mesmo evangelho são as boas novas de Deus para todo o mundo.
Portanto, todos esses desafios têm me estimulado a buscar propósito para minha vida e ministério, começando por aceitar os postulados que preservam minha fé evangélica. Em seguida, sempre buscar o preparo para superar todas as dificuldades a ser enfrentadas, no intuito de ajudar construir uma sociedade marcada pela paz, justiça e tratamento igualitário a todas as pessoas.