terça-feira, 1 de julho de 2014

Jesus e a mulher Samaritana

Texto base: João 4.1-42
É interessante como toda história da mulher samaritana ela se converge em água, que é indispensável para a saúde e higiene pessoal de qualquer ser humano. A água é tão importante para nós que 75% da porção do nosso planeta é de água, o corpo humano contém ¾ de sua formação em água, de tal forma que a água nos é indispensável para a manutenção da vida, água é sinônimo de vida.
O texto começa falando de água natural (h20) mas no seu ápice Jesus apresenta a (água da vida), Jesus vai até Samaria para levar aquele povo que tinha muito orgulho do poço de Jacó que tinha água natural para beber, mas estavam sedentos da água da vida.
No verso 1  e 2 Jesus está na Judéia e anuncia o evangelho e desperta o ódio e a perseguição dos Fariseus pois pelo ministério de Jesus havia mais discípulos e batizados do que João.
No verso 3- Jesus deixa a Judéia em sentido a Galiléia.
No verso 4 – Jesus sente uma necessidade de passar por Samaria.
Porque Jesus precisa passar por Samaria?  Se por ali não era o único caminho? Havia o caminho a esquerda de Cesaréia de Filipo e outro a direita que eram as campinas do Jordão por onde os Judeus passavam.
Para entendermos porque Jesus teve necessidade de passar em Samaria precisamos entender que Moisés em Dt 27.11,12 estabelece o monte Gerizim para o povo adorar o Senhor ( Moisés não entra na terra mas ele da a ordem ao povo). Apartir daí o povo entende que o monte da adoração é o monte Gerizim, e por muitas gerações isso acontece . Mas as gerações passam os anos se passam até que se levanta o rei Salomão e ele vai construir um templo para adoração mas ele constrói o templo em Jerusalém. A partir daí começa a confusão entre os Judeus e os Samaritanos, os Samaritanos dizem que o lugar de adorar a Deus é no monte Gerizim e os Judeus dizem não, o lugar de adorar a Deus é em Jerusalém.
A confusão fica tão séria que Judeus e Samaritanos não se falam mais, para se diferenciarem usam vestimentas diferentes. Os Samaritanos criam um sacerdócio paralelo, se fecham entre si com suas crenças e se tornam inimigos mortais dos Judeus.
Como se isso não bastasse Salomão morre, e com morte de Salomão o reino de Israel composto de 12 tribos se divide em reino norte com sua capital em Jerusalém com 10 tribos e o reino sul com 2 tribos e sua capital Samaria.
A briga entre Judeus e Samaritanos durou séculos até Jesus resolver por um ponto final nessa história.
Verso 5 – Jesus chega em uma cidade Samaritana chamada Sicar que é uma região desértica que faz parte das terras que Jacó havia dado ao seu filho José.
Que pai da um deserto pra seu filho? Porque agente aprende muito mais com os desertos, no deserto agente ora mais, agente chora mais, ama mais ,seu deserto é um presente de Deus, aquilo que não te mata te fortalece Deus esta te fortalecendo nesse deserto.
Verso 6 – Ali naquele deserto tinha um poço de Jacó, e Jesus cansado da viagem se assenta ali naquele poço para descansar por volta do meio dia.
Jacó levou 20 anos para cavar esse poço não desista do seu poço continue cavando...
Jesus esta sentado a beira do poço meio dia horário impróprio para retirar água os samaritanos tiravam água do poço as cinco horas da manha pois a agua estava mais fresca devido o grande calor do deserto.
Só ia buscar água no calor do sol do deserto de cinquenta graus do meio dia do deserto que precisa muito.
Verso 7 -  Veio a mulher Samaritana enclausurada, sofrida, amargurada, cheia de dores aflições e preconceitos para tirar água ela não fala com Jesus pois vê pela sua roupa que ele é Judeu, e além de Samaritanos não falarem com Judeus um homem não podia se dirigir a uma mulher em público na rua. Então Jesus a Pedi um pouco de água: Jesus diz ei mulher dai-me de beber, Jesus sempre toma a iniciativa para nos salvar.
Verso 8 – Jesus pede para os discípulos irem comprar comida, pois Jesus sabia que os discípulos iriam se escandalizar e não iriam entender o que estava pra acontecer ali.
De vez em quando Jesus vai mandar alguém que esta próximo de você pra ir ‘’comprar pão’’ por que eles não vão entender o mistério de Deus na sua vida.
Verso 9 – A mulher Samaritana cheia de angústia e cansada de ser humilhada por ali naquele local possivelmente ela já havia sofrido humilhações, ela agora tenta humilhar Jesus dizendo: ‘’Como sendo tú Judeu’’, ela iguala a Jesus aos outros Judeus, pede de beber a mim que sou ‘’mulher Samaritana’’, ela enfatiza mulher Samaritana pois naquela época não era de costume um homem se dirigir a uma mulher em público muito menos um Judeu a uma Samaritana.
Jesus aceita a humilhação da mulher Samaritana Fp.2-5- De sorte que haja em vós o mesmo sentimento que houve também em Cristo Jesus, que sendo em forma de Deus, não teve por usurpação o ser igual a Deus . Mas aniquilou a si mesmo, tomando a forma de servo, fazendo-se semelhante aos homens...
Verso 10 – Se conheceras o dom de Deus e quem que lhe pedes tú me pedirias água e eu te daria água viva.
A mulher ainda não entendeu Jesus ela o desafia no verso 11 e 12.
Verso 11- Ela diz tú não tem como tirar água, tú não tem corda, tú não tem cântaro e o poço é fundo, e no mais onde tem água vivi?
Verso 12- És tú maior que o nosso pai Jacó que nos deu esse poço, do qual ele bebeu, e seus filhos e seu gado?
Verso 13- Quem beber desta água tornará a ter sede, verso 14- mas aquele que beber da água que eu lhe der nunca mais terá sede, pelo contrario a água que eu lhe der será nele uma fonte a jorrar para a vida eterna.
Quem já bebeu  dessa água?
O tratamento da mulher muda, ela vê que ele não um judeu qualquer:
Verso 15 – Senhor, dá-me dessa água para que eu não mais tenha sede, nem precise vir aqui buscar.
Ela reconhece que precisa da água e pede da água com Jesus.
Verso 16 – Jesus diz, vai e chama teu marido e vem cá;
Verso 17 – Não tenho marido; replicou Jesus: Disseste bem não tenho marido;
Quem bebe da água confessa
Verso 18 – Jesus diz: Porque cinco maridos já tiveste, e  esse que agora tens não é teu marido;
Verso 19 – Diz a mulher: Senhor vejo que tú és profeta
Jesus é profeta, na igreja não tem hidromancia, não tem búzios, nem cartomancia, não se lê a mão, não se cobra consulta a igreja tem profeta!!!
Verso 20 – A mulher após compreender que Jesus é um profeta faz uma pergunta a Jesus:  Nossos pais adoravam neste monte; vós entretando dizeis que é em Jerusalém o lugar onde se deve  adorar?
Verso 21 - Jesus responde vem a hora em que nem neste monte e nem em Jerusalém adorareis o Pai.
Verso 22 – Vós adorais o que não conhecem, nós adoramos o que conhecemos, porque a salvação vem dos Judeus.
Primeira classe de adoradores- Adoradores inconscientes – O príncipe deste século segou o entendimento, é o que Paulo vai chamar de mente cauterizada.
Adorador inconsciente precisa ver, precisa apalpar, precisa materializar .
Já o verdadeiro adorador acredita sem ver, pois a fé é o firme fundamento das coisas que se esperam e a prova das coisas que se não veem.
Segunda classe de adoradores- Adoradores conscientes- São aqueles que querem adorar pela razão...
Pela razão Golias mata Davi...
Pela razão 5 pães e 2 peixes não alimentam 5 mil...
Pela razão não da pra adorar a Deus !!
Verso 23 – Vem a hora e já chegou em que os verdadeiros adoradores adorarão ao Pai em espírito e em verdade, porque são estes que o pai procura.
Verso 24- Deus é espirito e importa que os seus adoradores o adorem em espírito e em verdade.
Terceira classe de adoradores- Adorador em Espirito e em verdade- Esse adora sem ver porque adora pela fé, esse adora pela verdade da presença de Jesus em sua vida.
Verso 25 – Mais uma vez a mulher vai responder a Jesus: Eu sei que há de vir o Messias, chamado Cristo; quando ele vier nos anunciará todas as coisas.
A mulher pensa que com essa afirmação vai por um ponto final conversa, mas era tudo o que Jesus estava esperando para se apresentar a ela.
Verso 26 – Jesus diz: Eu o sou, eu que falo contigo.
Verso 27- Os discípulos se chegam e se admiram que Jesus esta falando com a mulher, mas não disseram nada.
Verso 28 – Quanto a mulher deixou o seu cântaro, foi a cidade e disse aqueles homens:
Verso 29 – Vinde comigo e vede um homem que me disse tudo o quanto tenho feito.
Quem sabe a mulher tenha entrado na cidade gritando achei uma flor gloriosa, quem deseja a mesma terá, achei a rosa de saron!!
Verso 30 – Saíram pois da cidade e foram ter com ele.
  Quem sabe quando mulher voltou os homens a perguntaram cadê o cântaro mulher, ela respondeu não preciso mais, agora eu tenho a fonte,  hoje a fonte de Deus vai jorrar na sua vida!!
Deixa o cântaro da mentira, do desespero, da agonia, da humilhação Jesus quer te dar água da vida aqui hoje!!
Quem bebe da água da vida contamina o outro ao seu redor, a mulher samaritana chamou os outros e pregou para toda a sua cidade, isso se chama contaminação espiritual, a boa notícia é que isso pega, vc não só vai receber de Deus mas vai passar adiante essa benção.
Pra concluir Jesus pra Salvar uma cidade ele não precisa de uma multidão, ele só precisa de uma pessoa por que isso pega!!

É melhor ser um samaritano salvo que se arrepende, do que um discípulo que se perde.  

sábado, 7 de junho de 2014

Entre o Aprisco e o Curral

João 10.1-7

Encontramos figuras que são utilizadas metaforicamente para indicar a Igreja. Entre elas, a Igreja tem sido identificada como o aprisco onde as ovelhas se encontram, se aquecem e se protegem. No aprisco, considerando a perspectiva bíblico-teológica, as ovelhas conhecem o seu pastor. A figura do aprisco indica mais do que meramente um local onde as ovelhas se abrigam, indica a relação de confiança entre as ovelhas e o pastor. A palavra grega utilizada apresenta este sentido. “Parece ser um quintal na frente da casa, cercado por um muro de pedras que, provavelmente, tinha abrolhos em cima”.[1]
Esta figura que indica algo simples e tão familiar ao povo da época é utilizada pelo evangelista João para ilustrar a relação de pastoreio de Jesus para com os discípulos (João 10.1-7). Assim, o autor bíblico descreve esta relação entre pastor e ovelhas.
As ovelhas sabem que o pastor quer o bem delas e sempre que se dirige a elas é para seu bem. As ovelhas não temem o seu pastor, pelo contrário, o respeitam pelo cuidado e pela dedicação que oferece indistintamente a todas elas.
As ovelhas ouvem a voz do seu pastor. Um pastor de ovelhas comentando este texto diz o seguinte: “quando o pastor as chama é com propósito específico; tem em mente o interesse das ovelhas. Não é uma coisa que ele faz só para se divertir ou passar o tempo”.[2] Que palavras instigantes deste pastor quando afirma que o pastoreio no contexto do aprisco não é para divertimento do pastor ou passa tempo, mas pelo contrário, é para o bem das ovelhas.
A expressão elas ouvem a sua voz é uma das principais características do relacionamento entre o pastor e suas ovelhas. No versículo 3 é dito que as ovelhas ouvem a voz do pastor. O sentido da palavra é de prestar atenção, entender, aprender, pois a voz é conhecida. No versículo 4 é dito que as ovelhasreconhecem a voz. O sentido do termo utilizado é mais íntimo, expressando relacionamento, reconhecimento e respeito. Assim, as ovelhas seguem o seu pastor.
As ovelhas não seguem o condutor cuja voz não seja reconhecida. É importante destacar que a parábola contada por Jesus está cheia de afetividade e relacionamento pautado no respeito, na dignidade, na valorização, na busca pelo bem estar das ovelhas e cuidado extremo para com as que estão doentes. Não se trata de escutar e sim de conhecer a voz pela vivência.
Na parábola Jesus diz aos discípulos que Ele é a porta das ovelhas. O pastor sempre chega junto às suas ovelhas por esta porta que se abre e que não é arrombada pela força, pela arrogância, pelo desprezo, pela intimidação e pelo desamor daqueles que se utilizam da função do pastor. É o pastor de ovelhas que diz o seguinte para explicar esta relação entre o pastor e suas ovelhas: “não há nenhuma tensão nem violência neste relacionamento com o pastor de minha alma”.[3]
O pastor guia as suas ovelhas, cuida de todas elas, vai atrás da que se perdeu, alimenta, protege e as conduz pelos caminhos seguros da vida. O ser pastor exige renúncia, humildade, amor, confiança, perseverança e doação, sem o que não se consegue conduzir as ovelhas.
Se não for segundo a perspectiva do aprisco, a Igreja pode ser identificada pela figura de um curral, lugar onde o gado é reunido para receber o sal, a ração e as marcas dos proprietários. Enquanto a figura do aprisco indica metaforicamente o encontro amoroso do pastor com suas ovelhas, o curral indica o local da “ração” para o gado, ou seja, onde metaforicamente as pessoas ruminam o “sal” ou a “ração” que lhes são oferecidos sem, no entanto, vivenciaram os aspectos que compreendem o aprisco.
O que diferencia a metáfora do aprisco para a do curral, é que nesta o “gado” recebe a ração e depois se dispersa de “cabeça baixa” para as pastagens, enquanto na primeira as ovelhas seguem o pastor pelos campos pulando altivas, como que brincando e “celebrando a vida”. Ou seja, no contexto do curral os membros da igreja são como o gado no curral e não como as ovelhas do aprisco. Isto faz uma grande diferença...

Bispo Josué Adam Lazier



[1] RIENECKER, F. , ROGERS, C.  Chave Lingüística do Novo Testamento Grego. São Paulo, SP: Edições Vida Nova, 1985, p. 178.
[2] KELLER, Phillip. Meditações de um leigo sobre o Bom Pastor e suas ovelhas – da perspectiva de um verdadeiro pastor de ovelhas. São Paulo, SP: Editora Vida, 1981, p. 36.
[3] KELLER, Phillip. Meditações de um leigo sobre o Bom Pastor e suas ovelhas – da perspectiva de um verdadeiro pastor de ovelhas. São Paulo, SP: Editora Vida, 1981, p. 58.


De volta ao aprisco

Hebreus 13.20
Introdução
Esta é a quarta reflexão que faço em torno do tema aprisco e curral. No entanto, Hebreus 13.20 nos traz de volta ao aprisco. O autor se refere a Jesus como o grande pastor das ovelhas. Ele foi apresentado por João como o bom pastor, agora ele retorna no texto de Hebreus como o grande pastor. Ao fazer isto, o autor resgata e restaura a concepção que vem do Antigo Testamento acerca do pastor e que é instigante e paradigmática para o ministério pastoral hoje. Há uma clara referência a Moisés que, com seu cajado e sua autoridade de guia, conduziu o povo do meio da escravidão no Egito até a entrada na Terra Prometida. Em outras palavras, o autor de Hebreus está relacionando o pastoreio de Jesus a um novo êxodo, agora numa perspectiva de salvação escatológica.[i]

O grande pastor
Além de indicar na figura do “grande pastor” o líder Moisés, logicamente que está implícita a imagem de pastor que é atribuída a Deus. Deus é o primeiro e maior pastor. O Salmo 78 narra a história do povo no Antigo Testamento e compara a vida do povo como a de uma ovelha que segue e é guardada pelo seu pastor. Trata-se de um Salmo Didático, pois lembra ao povo as ações de Deus, do Deus Pastor.

Entre as ações estão as seguintes:

1.  Guiar no sentido de apascentar, conduzir. Isaías fala sobre isto quando o povo estava voltando do exílio para reconstruir a Cidade e o Templo de Jerusalém: “Como um pastor apascenta ele o seu rebanho, com o seu braço reúne os cordeiros, carrega-os no seu regaço, conduz carinhosamente as ovelhas que amamentam” (40.11).

2. Prover no sentido de providenciar o necessário para a vida. Lucas 12.22-31 apresenta este lado pastoril de Deus. Conta 3 pequenas parábolas para evidenciar o cuidado e a providência de Deus para com seu rebanho: parábola do corvo, da vida e da erva do campo.

3. Guardar no sentido de defender, vigiar, libertar, reunir e congregar. O profeta Miquéias 2.12 promete que Deus, durante o exílio, reuniria o Seu povo como ovelhas no aprisco: “Reunir-te-ei todo inteiro, Jacó, congregarei o resto de Israel!  Agrupá-los-ei como ovelhas no aprisco, como rebanho no meio da várzea, e haverá ruído longe dos homens” .

4.  Permanecer no sentido de fazer aliança. O tema da aliança de Deus com Seu Povo está presente em toda a Bíblia.   Zacarias 13.9 diz :“Ele invocará o meu nome, e eu lhe responderei; direi: É o meu povo!’  Ele dirá: ‘Deus é o meu Deus”.

Estas ações do Deus Pastor são paradigmáticas para o exercício do ministério pastoral hoje, pois o ambiente social e familiar em que as pessoas estão inseridas, além do ambiente cultural, econômico e político, requerem um pastoreio humanizado e humanitário. Humanizado no sentido de que as pessoas devem ser tratadas com dignidade e respeito pelos pastores e pastoras e não apenas como consumidores de produtos que lhe são vendidos ou ouvintes de seus sermões mal preparados e arroubos de soberba e vaidade. Humanitário no sentido de estar ao lado para socorrer, fortalecer, ouvir, interceder e agir com solidariedade, justiça e amor. Um ministério pastoral que não tenha esta mística será apequenado, muito apequenado.

Não apequenar o pastorado
É interessante observar que o autor de Hebreus oferece indicativos para que o ministério pastoral supere a tendência do apequenamento das ações pastorais quando orienta o rebanho. Ao orientar as ovelhas ele indica o caminho a ser seguido pelos pastores e pastoras.

São várias as recomendações (Hb 13.7-17): lembrar dos guias; lembrar dos que pregaram a palavra; não se envolver com doutrinas estranhas; possuir um altar para oração constante; oferecer o louvor a Deus; possuir lábios que confessem o senhorio de Cristo; não negligenciar a prática do bem; cooperar com os outros; obedecer aos guias que evidenciam estas características de um ministério que se modela no exemplo do Grande e do bom Pastor; pastorear com alegria e não gemendo; e por fim lembrar que todos prestarão contas do que fazem com suas responsabilidades e ministérios.

Conclusão
Para não concluir, termino com as palavras do autor de Hebreus: “Que o Grande Pastor das ovelhas, pelo sangue da eterna aliança, vos aperfeiçoe em todo o bem, para cumprirdes a sua vontade, operando em vós o que é agradável diante dele, por Jesus Cristo, a quem seja a glória para todo o sempre. Amém” (Hb 13.20-21).

Bispo Josué Adam Lazier
 Leia as outras reflexões sobre esta temática:

Entre o aprisco e o curral.

Ministério no aprisco versus ministério no curral.

Para estar no aprisco e não no curral.
 [i] BOSETTI, Elena; SALVATORE, A. Panimolle. Deus-Pastor na Bíblia – solidariedade de Deus com seu povo. São Paulo, SP: Edições Paulinas, 1986, p. 57. 

O aprisco e a manjedoura


Introdução
Pastorear é se relacionar com as pessoas. O trabalho pastoral se constitui numa constante ação de afetividade. Sem ela o pastoreio se torna frio, distante e burocratizado. A afetividade aproxima as pessoas, aproxima o pastor e a pastora das pessoas e das famílias e produz uma convivência saudável.
É num ambiente de afetividade que o ato de pastorear se plenifica, se integraliza e se concretiza em frutos na vida das pessoas. Neste sentido, observar a cena que se desenrola no interior do aprisco, onde há uma manjedoura e pessoas envolvidas na trama é, no mínimo, receber uma motivação para o pastoreio afetivo e efetivo.
O pastoreio deve ser desenvolvido tendo o ministério de Jesus como modelo. Nesta reflexão vamos olhar o local onde Jesus nasceu e buscar no simbolismo do ocorrido a inspiração para um pastoreio no âmago do aprisco. O ministério, nesta perspectiva, tem algumas características que se ressaltam:
1. Simplicidade. O ministério deve ser exercido com simplicidade e na simplicidade. Vivemos dias em que a tecnologia, a estatística, o sofisticado, etc, estão em voga e as igrejas, via de regra, buscam estes recursos da modernidade para o desenvolvimento de suas atividades. No entanto, a Igreja não pode perder a simplicidade no cumprimento de sua missão e não deve deixar de atuar na sociedade de forma a alcançar os simples e os símplices de coração. O êxito do ministério da Igreja não pode ser medido pela quantidade de tecnologia ou modernidade que ela adquira e sim pela capacidade de ser simples no anúncio e na vivência do Evangelho.
2. Acolhimento. Olhando para a manjedoura onde Jesus nasceu e que se constitui o principal cenário do natal, descobrimos que o acolhimento é outra característica do ministério na perspectiva da afetividade. A manjedoura acolheu o casal de viajantes, cuja mulher estava prestes a dar à luz um menino, o que ocorreu em meio a sinais de humildade e simplicidade. A manjedoura indica o acolhimento que deve ser uma das marcas ministeriais. O ministério, nesta perspectiva, é a mediação feita entre a graça de Deus e as pessoas que não encontram outro lugar para ficar, que encontram portas fechadas, ou cujas portas são fechadas em suas “caras”. A Igreja, neste sentido, é o lugar dos que foram privados de viverem plenamente a vida. Se a Igreja perder esta perspectiva o seu ministério terá pouca relevância para os dias de hoje.
3. Gratuidade. O ministério modelado pela singeleza da manjedoura deve ser exercido na perspectiva da gratuidade e não da troca ou do mercantilismo. A família que se abrigou na manjedoura não pagou nada pela estadia entre feno e animais, indicando assim que a mensagem de fé, de esperança, de amor e de salvação também é gratuita. As pessoas que se oferecem para trabalhar nos ministérios da Igreja e que não recebem para isto, devem fazê-lo na perspectiva da doação, do serviço e nunca da recompensa, ou do salário, ou do subsídio. A Igreja deve dar dignidade a seus obreiros e obreiras, mas não perder a gratuidade de sua ação pastoral.
4. Solidariedade. A manjedoura é evidência da solidariedade. Aliás, a manjedoura atrai pessoas que vão até o local para ver o menino que lá nasceu. A solidariedade daquele lugar, simples, mas quente e acolhedor, inspira a Igreja a ir ao encontro dos que precisam de apoio e de esperança. A manjedoura inspira a Igreja a sair de si mesma para estar entre os que se perderam, entre os doentes, entre os encarcerados, entre os feridos, entre os que não são contados como gente. A solidariedade nos aproxima dos diferentes, pois o que vale é a vida que é igual para todos. O ministério pastoral que tem esta mística é solidário em todo o tempo.
5. Transparência. A manjedoura desnuda os personagens presentes no cenário. Eles se revelam naquele ambiente singular. O ministério pastoral nesta perspectiva deve ser transparente e não ter “aparência” que não se confirme com as práticas. Os estereótipos, os trejeitos, as “coreografias” que são praticadas no exercício do ministério pastoral, tendem a maquiar a face pública do pastorado e da igreja. Olhando para a manjedoura, há que se ter transparência para não se chegar as raias do farisaísmo.
Conclusão
Estas cinco características evidenciam um ministério afetivo, voltado para o cuidado e para o bem estar das pessoas pastoreadas. Estas características são alcançadas pelo esforço pessoal e pela busca constante de transformação e maturação, e desenvolvidas por uma espiritualidade que não fique apenas na superficialidade da vivência humana, mas alcance o âmago da vida, o âmago dos relacionamentos e âmago da dedicação integral e plena a Deus. Chego a pensar que sem estas características a manjedoura se transforma em cocho de sal para gado. Deus chamou o pastor e a pastora para atuarem na perspectiva da manjedoura, onde a vida se desenrola marcada pela afetividade e pelo cuidado pastoral. Que Deus nos ajude nesta caminhada desafiadora.

Bispo Josué Adam Lazier


Ministério no aprisco versus ministério no curral

As parábolas de Lucas e de Ezequiel


Introdução

As figuras do aprisco e do curral desafiam nossa reflexão e nos convidam a considerarmos o que diferencia o ministério entre um e o outro.
Enquanto a figura do aprisco indica metaforicamente o encontro amoroso do pastor com suas ovelhas, o curral indica o local da ‘ração’ para o gado, ou seja, onde metaforicamente as pessoas ruminam o ‘sal’ ou a ‘ração’ que lhes são oferecidos sem, no entanto, vivenciaram os aspectos que compreendem o aprisco”.1

Para isto, faremos uma leitura de dois textos bíblicos que nos auxiliarão em nossa reflexão nesta linha de pensamento. O primeiro texto é o de Lucas 15.4-7, onde é contada a parábola da ovelha perdida. O segundo texto é o de Ezequiel 34.1-10, onde são apresentadas características negativas na vida dos líderes, o que nos leva a pensar no exercício de um ministério na perspectiva do curral.


1. A parábola da ovelha perdida – Lucas 15.4-7

Restauração

A parábola da ovelha perdida tem como seu tema central a restauração da ovelha que se perdeu e que causa no pastor, nos amigos e vizinhos, alegria quando ela é encontrada. Ela assinala que Deus procura os pecadores e é sempre Ele quem toma a iniciativa para que recebam a nova vida em Cristo Jesus.
    
Para os religiosos daquela época, Deus receberia somente as ovelhas arrependidas, mas para Jesus, Deus procura as desgarradas, machucadas, violentadas, atingidas pelas feridas da vida e as restaura ao seu aprisco.
    
Ir ao encontro da que está perdida
Esta é a idéia presente na parábola da ovelha perdida. O pastor deixa as noventa e nove ovelhas que estão seguras e vai procurar a que se perdeu. Quando a encontra descobre que está machucada pela queda e carrega-a para casa (15.5). “Surpreendentemente, este pastor se regozija com o fardo de restauração que ainda está diante dele. Este tema é importantíssimo nesta primeira parábola”.2
    
Além disto, o pastor revela que a ovelha era importante para ele. Ele percorre um longo caminho, quiçá fazendo sacrifícios e suportando as dificuldades em encontrar a ovelha perdida.

Pensemos nos sacrifícios suportados pelo pastor andando nas pegadas da ovelha perdida e percorrendo montes e vales, sem desistir, até encontrá-la (Lc 15,4). Nessa parábola, a preciosidade da ovelha perdida é insinuada também pelo adjetivo possessivo. O pastor exclama: ‘encontrei a minha ovelha’ (Lc 15.4)”.3

Carregar pelos braços
A ação no contexto do aprisco deve cuidar das que estão seguras e se alegrar com as que nunca se perderam, mas não pode deixar de focar as que se extraviaram e precisam de cuidado e restauração. Esta ação de restaurar tem todo um sentido afetivo por parte do pastor: ela toma a ovelha em seus braços e leva-a casa. Trata-se de uma atitude de cuidado, de respeito e de valorização da ovelha que, mesmo que tenha sido rebelde em se desviar do caminho pelo qual o pastor conduzia o rebanho, é tratada com consideração. A restauração é fruto desta soma de atitudes do pastor, especialmente da afetividade.
    
O profeta Isaías afirma o seguinte falando do relacionamento de Deus com seu povo: “como pastor, apascentará o seu rebanho; entre os braços, recolherá os cordeirinhos e os levará no seu regaço; as que amamentam, ele as guiará mansamente” (Isaías 40.1).
    
A alegria do pastor
Além da restauração estar enfatizada nesta parábola, a alegria pelo retorno da ovelha que se perdeu também é indicada, pois ela é contagiante: todos que recebem a notícia se alegram e celebram, pois “haverá mais alegria no céu por um só pecador que se arrepende, do que por noventa e nove justos que não necessitam de arrependimento”, conforme o texto de Lucas  15.7.
    
A gratuidade na ação pastoral
A parábola apresenta quatro temas: a alegria do pastor, a alegria da restauração, o amor gracioso e o arrependimento.4 Estes temas são norteadores de um ministério na perspectiva do aprisco. O ministério na perspectiva do aprisco tem o tom da gratuidade e não da troca ou do mercantilismo. Como já expressamos em outros textos, afirmamos “que as pessoas que se oferecem para trabalhar nos ministérios da Igreja e que recebem para isto devem fazê-lo na perspectiva da doação, do serviço e nunca da recompensa, ou do salário, ou do subsídio”.5

2. A parábola dos pseudo-pastores – Ezequiel 34.1-10

O profeta Ezequiel, cujo ministério se deu no período do exílio e junto aos desterrados, toca no tema do pastoreio das ovelhas. Ele anunciava a mensagem de que Jerusalém chegava ao fim em virtude da corrupção que havia tomado conta da vida dos líderes do povo e da crise que se alojara entre o povo, uma vez que seus líderes estavam desleixados em relação aos seus compromissos. Em outras palavras, os líderes deixaram de pastorear e conduzir o rebanho e se dedicaram aos seus próprios negócios, ou como diz Ezequiel, se apascentavam a si mesmos. O povo vivia sob o impacto do desterro e do distanciamento do Templo, que simbolizava a identidade e a religião que professavam e eram como ovelhas sem pastor. No entanto, Deus revela que Ele mesmo vai pastorear as suas ovelhas.

“Ezequiel é o profeta que desenvolve mais amplamente o tema de Iaweh-pastor. Dedica a ele todo o cap. 34, no qual contrapõe o comportamento de Deus ao dos falsos pastores que, em vez de apascentarem o povo de Deus, apascentam a si mesmos (vv. 2-10)”.6

Aqui entra nossa metáfora do curral. O povo nesta época vivia sem o cuidado, a direção, a condução e o pastoreio de seus líderes ou pastores. O profeta denuncia isto quando apresenta o perfil dos falsos pastores.

As palavras do profeta são claras e específicas. Não há como não compreender a mensagem que Ezequiel apresenta e que caracteriza os pastores que na expressão bíblica são falsos pastores. Vejamos:

      1. Apascentam-se a si mesmos, ou seja, estão preocupados com o seu bem estar em detrimento do bem estar das ovelhas. O que importa é a satisfação dos desejos e das necessidades pessoais e não as do rebanho.

      2. Comem a gordura das ovelhas e se vestem com a lã. Em outras palavras, isto quer dizer exploração e violência cometidas contra o rebanho.
    
      3. Não dão apoio às que estão enfraquecidas com a situação de desterro, pobreza e opressão a que estavam submetidas as ovelhas, ou o povo de Deus. Devemos lembrar que o povo está no exílio como escravo.
    
      4. Não curam as doentes e nem restauram as que estão machucadas. Não há nenhuma ação por parte dos líderes do povo que produza restauração, cura e libertação. Os pastores se transformaram em lobos vorazes.
    
      5. Não procuram as desgarradas e não vão atrás das que estão perdidas. A ação que mais caracteriza o trabalho pastoral que é conduzir as ovelhas por caminhos seguros não era praticada pelos pseudo-pastores da parábola de Ezequiel.
    
      6. Por outro lado, eram dominadores, violentos, arrogantes, cujo “manejo” das ovelhas era feito com dureza e muito rigor. Uma boa forma de identificar um pastor dominador e dissimulado é reparar se ele olha com ternura para suas ovelhas. O olhar do pastor revela se de fato cumpre com sua função ou vocação na perspectiva da parábola de Lucas ou se na perspectiva da parábola de Ezequiel.
     
Assim, Ezequiel, o profeta do desterro, descreve a vida num curral.

Conclusão
    
Não dá para concluir um assunto de tamanha delicadeza e tamanho desafio. Dá sim para lamentar que em nosso meio se instalem modelos de pastoreio na perspectiva do curral, onde o que vale é a vontade do pastor e o seu bem estar.
    
Não dá para concluir, mas dá para lamentar que a Igreja vivencie esta tensão e que acabe por predominar um modelo de dominação, intimidação e dissimulação. Eu conheço pastor que não consegue olhar nos olhos de suas ovelhas e prefere olhar de soslaio, ou de forma esguelha. O pastoreio, desta forma, é realizado por “viés”. O que significa dizer um ministério “meio furtivo, esconso, tortuoso de obter, fazer ou concluir algo”.7
     
Não dá para concluir, mas que Deus tenha misericórdia de nós.
    
     
Bispo Josué Adam Lazier

    
1 LAZIER, Josué Adam. Entre o Aprisco e o Curral. Postado no blog: www.josue.lazier.blog.uol.com.br em 13 de julho de 2009.
2 BAILEY, Kenneth. As Parábolas de Lucas. São Paulo, SP: Editora Vida Nova, 1985, pg. 199.
3 BOSETTI, Elena. Deus-Pastor na Bíblia – solidariedade de Deus com seu povo. São Paulo, SP: Edições Paulinas, 1986, p. 75.
4 BAILEY, Kenneth. As Parábolas de Lucas. São Paulo, SP: Editora Vida Nova, 1985, pg. 203.
5LAZIER, Josué Adam. O Ministério na Perspectiva da Manjedoura. Postado no blog: www.josue.lazier.blog.uol.com.br em 23 de dezembro de 2008.
6 BOSETTI, Elena. Deus-Pastor na Bíblia – solidariedade de Deus com seu povo. São Paulo, SP: Edições Paulinas, 1986, p. 30.
7 HOUAISS. Dicionário eletrônico da Língua Portuguesa 1.0.

Para estar no aprisco e não no curral

O ministério de acordo com I Pedro 5.1-4


Introdução
Esta é a terceira reflexão que faço em torno do tema aprisco e curral. A primeira eu intitulei “Entre o aprisco e o curral”, onde descrevi brevemente as características de cada uma. A segunda reflexão eu intitulei de “Ministério no aprisco versus ministério no curral”, em cujo texto indiquei algumas diferenças entre os dois tipos de ministérios, levando-se em conta as parábolas de Lucas 15 e a de Ezequiel 34.

Nesta reflexão quero abordar os conselhos apostólicos de Pedro quando se dirigiu aos cristãos que se encontravam na dispersão no Ponto, Galacia, Capadócia, Ásia e Bitínia. O apóstolo chama-os de forasteiros, porque viviam em outras terras, mas assim o faziam como eleitos de Deus e santificados no Espírito Santo (I Pe 1.2).

Como os seguidores de Cristo viviam em um ambiente de hostilidade, o exercício do pastoreio junto ao povo era fundamental para preservação da fé e perseverança na vida cristã. Desta forma, o apóstolo se dirige aos dirigentes dando-lhes várias recomendações de como pastorear naquelas condições. Na verdade ele faz uma comparação entre dois modelos de pastoreio, que estou chamando de aprisco e curral. Ao fazer isto, é incisivo e desafiador, pois suas palavras exortam e edificam.

Diálogo com os líderes da comunidade
Ele designa os líderes de presbíteros, por serem as pessoas que adquiriram experiências ao longo de suas vidas e foram reconhecidas como líderes da comunidade que se encontrava dispersa por vários lugares. Os presbíteros deveriam ser como referências de obediência e dedicação a Deus para os demais que iniciavam a jornada de fé. Ao se dirigir a eles assinala o pastoreio na perspectiva do aprisco e se apresenta como co-servo, co-ancião e cooperador, como alguém que testemunhou os sofrimentos de Cristo e tornou-se testemunha da ressurreição (5.1).

O apóstolo Pedro indica três características do que estamos chamando de ministério no aprisco ou ministério no curral. Inicia sua recomendação com a expressão “rogo”, em grego parakaleo, que significachamar ao lado, convidar para uma conversa. É desta forma que o apóstolo se dirige aos líderes, ou seja, pastoralmente convida para uma conversa mais íntima acerca do cuidado pastoral. Nesta conversa ele pede que o pastoreio aconteça e passa a indicar as características.

Espontaneamente
Ele diferencia o aprisco do curral quando indica que o pastoreio deve ser feito espontaneamente e não por constrangimento. A palavra constrangimento tem o acento de obrigação, coação, sem alegria, sem motivação, sem zelo e sem compromisso com o rebanho. Para Pedro o pastoreio deve ser exercido de forma livre, da forma que Deus o quer, sem imposições e legalismos, mas com respeito, cuidado e dignidade.

A ordem de apascentar voluntariamente, segundo Deus, poderia então significar: não cumprais a vossa obrigação coagidos pela imposição das mãos sobre vós. Redescobri as motivações da fé, ‘segundo Deus’, que estão na origem do vosso ministério, e deixai-vos guiar por elas”.[1]

É uma recomendação instigante e relevante para os dias de hoje, pois este é o ministério feito no aprisco. Nele não há coação e nem intimidação, não há ameaças e nem dissimulações. É um pastoreio com o coração aberto e cheio de amor e de esperança para com as pessoas, feito com honestidade e com voluntariedade.

De boa vontade
Na recomendação anterior o curral estava na coação, na presente orientação está na sórdida ganância ou na avidez por ganho. O tema do dinheiro entra na pauta de recomendações do apóstolo, pois a ganância é uma força destrutiva do ministério “como Deus o quer”. Deus quer o ministério de boa vontade, com generosidade, com magnanimidade, onde a tentação pelo lucro e pela satisfação dos interesses pessoais é superada.

O termo grego utilizado e traduzido porboa vontade, tem o sentido de zelo, de cuidado. “A palavra é extremamente forte e expressa entusiasmo e zelo devotado”.[2] O ministério no aprisco tem esta perspectiva desafiadora para os dias de hoje, especialmente levando-se em conta os movimentos de negociação e de busca de recompensas financeiras pelo trabalho pastoral. Pedro, ao se dirigir aos líderes da comunidade, faz um apelo para que a disposição que estava presente no início do ministério seja restaurada e renovada. Assim, os presbíteros deveriam pastorear
não forçados, mas de bom grado, obedecendo à vontade divina; não por causa do lucro, mas por devotamento ao próximo; não com modos ásperos, como tiranos, mas dando o exemplo de suavidade e delicadeza”.[3]

Como modelos do rebanho
Pedro não deixa dúvidas. O ministério realizado com violência, com dominação, com patrulhamento, não é o Deus quer. Deus quer um ministério livre, espontâneo e caracterizado pela disposição em servir. O acento da recomendação está no relacionamento de serviço em prol das ovelhas. As recomendações de Cristo aos discípulos e expostas pelos evangelistas estão diretamente ligadas a esta recomendação petrina, especialmente as que falam que os maiores são os que servem e não os que se assentam à mesa (Mc 10.43-44).

Numa situação de aprisco não há dominação, há sim doação, dedicação e humildade. “A humildade proposta por Cristo não tem nada a ver com os meios usados para se fazer carreira e chegar ao poder”.[4]

Para continuar refletindo
Considerar as palavras do apostolo Pedro é sair da perspectiva do curral e entrar na do aprisco, é pensar na dimensão pública do pastoreio e do serviço que a Igreja deve prestar à sociedade. É pensar na inclusão dos que são excluídos, é pensar na libertação dos que são oprimidos, é denunciar quando a vida, dom de Deus, é aviltada pela violência contra crianças, contra mulheres, contra os idosos e contra os que são diferentes, é pensar na vida integral e no resgate da dignidade humana. É pastorear num ambiente de aprisco.
Dar atenção as palavras de Pedro é sair do curral e entrar no aprisco, pois suas palavras continuam a instigar a liderança da igreja nos dias de hoje.

Bispo Josué Adam Lazier




[1] BOSETTI, Elena. Deus-Pastor na Bíblia – solidariedade de Deus com seu povo. São Paulo, SP: Edições Paulinas, 1986, p. 102.
[2] RIENECKER, Fritz – ROGERS, Cleon. Chave Linguística do Novo Testamento Grego. São Paulo, SP: Edições Vida Nova, 1985, p. 567.
[3] BALLARINI, T. e outros. Introdução à Bíblia, vol. V/2. Petrópolis, RJ: Editora Vozes Ltda, 1969, p. 345.
[4] BOSETTI, Elena. Deus-Pastor na Bíblia – solidariedade de Deus com seu povo. São Paulo, SP: Edições Paulinas, 1986, p. 112.

sexta-feira, 28 de março de 2014

O Que é Temor do senhor ?

Temer a Deus significa ter uma reverência por Ele tão grande, que vai certamente influenciar como vivemos nossas vidas. Temer a Deus é respeitá-lO, submeter-se a Ele e louvá-lO com admiração.
Muitos têm a tendência de minimizar o temor de Deus dos crentes a apenas "respeito" por Ele. Embora respeito faça parte do conceito, temer a Deus na verdade significa mais do que isso. O bíblico temor de Deus, para o crente, inclui a compreensão do quanto Deus abomina o pecado, e por amor a Deus não praticamos, ou pelo menos nos desviamos do mau.
Os crentes não devem ter "medo" de Deus. Não há nenhuma razão para que tenhamos medo dEle. Temos a Sua promessa de que nada pode nos separar do amor de Deus (Romanos 8:38-39). Temos a Sua promessa de que Ele nunca vai nos deixar ou nos abandonar (Hebreus 13:5).


O TEMOR DO SENHOR!
O TEMOR DO SENHOR produz CONFIANÇA e OBEDIÊNCIA
O homem que teme a Deus não precisar temer a mais nada!

A palavra temor no dicionário se refere a medo, pavor, terror, etc. Mas você também vai encontrar ela com o significado de sentimento de respeito ou reverência. Esse é o temor que nós devemos ter de Deus, de respeito e reverência ao onipotente.
Em provérbios existem alguns versículos que nos fala sobre o temor do Senhor e o que ele faz em nossas vidas. Acompanhe comigo:
Pv. 1:7 – “O Temor do Senhor é o princípio do saber”. Isso significa que quem teme ao Senhor é sábio.
Pv. 3:7 – Mandas que não sejamos sábios aos nossos olhos, mas que temamos ao Senhor e apartemo-nos do mal.
Pv. 8:13 – Diz que o temor do Senhor consiste em aborrecer aquilo que Deus aborrece: o mal, a soberba, a arrogância, o mau caminho e a boca perversa.
Pv. 9:10 – novamente diz que o temor do Senhor é o princípio da sabedoria.
Pv. 10:27- Diz que o temor do Senhor prolonga nossos dias.
Pv. 14:26.27 – Diz que o temor do Senhor nos ampara e é fonte de vida para desviar da morte.
Pv. 15:16 – Diz que é melhor temer ao Senhor e tem pouca coisa do que ser rico e inquieto.
Pv. 15:33 – Diz que o temor do Senhor é a instrução da sabedoria.
Pv. 16:6 – Diz que o temor do Senhor nos faz evitar o mal.
Pv. 19:23 – Diz que o temor do Senhor conduz a vida e quem o tem é satisfeito e não é visitado pelo mal.
Pv. 22:4 – Diz que temer ao Senhor e ser humilde são riquezas, honra e vida.
Pv.23:17 – Nos manda perseverar em temer ao Senhor e não invejar os pecadores.
Pv. 28:14 – Diz que feliz é o que teme ao Senhor constantemente e não endurece o coração.
A oração do Salmista: “Ensina-me, SENHOR, o teu caminho, e andarei na tua verdade; une o meu coração ao temor do teu nome.” Salmos 86:11
O temor a Deus é a joia perdida na igreja hoje. A irreverência e a falta de respeito a Deus é uma marca registrada da nossa geração. Muitos perderam a admiração e a consideração por Deus. Mas, nem sempre foi assim. O temor do Senhor estava presente no coração dos primeiros crentes. A igreja primitiva crescia e se edificava, porque caminhava no temor do Senhor e na consolação do Espírito Santo. Os crentes obedeciam ao mandamento: “Temei a Deus” (1Pe 2.17; Dt 13.4).
Precisamos urgentemente resgatar ou restaurar o temor a Deus, em nossas vidas.
 A palavra “temor” significa a qualidade positiva de “respeito”, “reverência” e “piedade”.
O temor a Deus é algo preciosíssimo. Ele resume o sentido da vida: “De tudo o que se tem ouvido, a suma é: teme a Deus e guarda os Seus mandamentos” (Ec 12.13).

O TEMOR DO SENHOR É ODIAR O PECADO
O temor do Senhor é aborrecer o mal; a soberba, e a arrogância, e o mau caminho, e a boca perversa aborreço. - Provérbios 8.13 (arc)
 O temor a Deus deve levar o crente a afastar-se do mal (16.6) e abominar o pecado, o qual desagrada a Deus e destrói, tanto a nós, como aqueles a quem amamos. (bep).

NO TEMOR DO SENHOR HÁ RECOMPENSA

 A recompensa da humildade e do temor do SENHOR são a riqueza, a honra e a vida.
Provérbios 22.4 (nvi)

 O homem humilde, que “teme o Senhor” (o lema do livro;ver prov.1. 7), será abençoado por Ele, material e espiritualmente. “A recompensa pela humildade e pelo temor do Senhor é a riqueza e a honra”. (ati). - Aqueles que permanecerem fiéis a Deus receberão essas bençãos no tempo determinado por Ele. Todo o povo de Deus estará entre aqueles que “herdarão a terra” (Mt.5.5). Já aqui, os pobres de Deus são considerados ricos nos bens e honras espirituais (Ap.2.9). (bep).

NO TEMOR DO SENHOR HÁ CONFIANÇA

 No temor do Senhor, há firme confiança, e ele será um refúgio para seus filhos.
Provérbios 14.26 (arc)

 O homem que teme ao Senhor tem forte confiança. O homem que teme ao Senhor tem confiança em seu forte amparo. “Confiantes que Ele os ama e se deleita neles; que Seus olhos estão fixos sobre eles; e que o Seu coração está voltado para eles, suprirá cada uma de suas necessidades e os protegerá e defenderá” (John Gill) – (ati).

O TEMOR DO SENHOR PROLONGA A VIDA

 O temor do Senhor prolonga a vida, mas a vida do ímpio é abreviada.
Provérbios 10.27 (nvi)

 Esse provérbio não oferece aos justos imunidade contra a hipótese de morte precoce. Nem é garantia de que os perversos sempre morrerão cedo. Aqui, estão delineados princípios gerais da vida: se levarmos vida justa, podemos evitar muitas ações tolas que causariam a nossa morte antes do tempo. Em contrapartida, se seguirmos os caminhos de Deus, em geral teremos vida mais feliz, saudável e longa. (bev).

NO TEMOR DO SENHOR NADA FALTA

 Temam o Senhor, vocês que são os seus santos , pois nada falta aos que o temem.
Salmos 34.9 (nvi)

 Note que as promessas deste salmo são condicionais, e reservadas somente a quem de fato teme ao Senhor. Deus promete nos livrar do medo (v4), nos salvar nas crises (v.6,17), pôr anjos ao nosso redor (v.7), suprir as nossas necessidades (v.9), dar-nos vida abundante (v.12), ouvir nossas orações (.15), confortar-nos com a sua presença (v.18), e livrar nossa alma (v.22) – mas somente se buscarmos ao Senhor (vv.4,10), clamarmos a Ele (v.6), guardarmos nossa língua do mal da mentira (v.13), fizermos o bem e proclamarmos a paz (v.14), tivermos um coração contrito (v.18) e formos seus servos (v.22). (bep).