segunda-feira, 6 de abril de 2015

A ORIGEM DO PRINCIPIO DE PARETO


O principio que afirma que 80% das consequências provêm de 20% das causas foi introduzido no ramo das ciências, em 1941 pelo consultor de negócios romênio, Joseph M. Juran, em homenagem ao sociólogo e economista Vilfredo Pareto filósofo italiano (1848-1923), que contribuiu para evolução da ciência econômica da idade moderna, ao introduzir o conceito de ótimo de Pareto e ajudou o desenvolvimento da microeconomia com a ideia de curva de indiferença.  Por sua vez, Juran  expandiu o princípio de Pareto para a esfera organizacional, afirmando que 80% dos problemas são causados por 20% das causas.
O QUE SIGNIFICA A LEI DO PARETO
Lei de Pareto, nascida dentro da economia, quando levada para o campo pessoal, adverte que 80% dos resultados que se alcança é consequência de apenas 20% dos esforços empregados. Em outras palavras, determinadas ações estratégicas podem oferecer um retorno muito maior do que muitas outras.
 O Princípio pode ser aplicado por estudantes que desejem ser bem sucedidos, principalmente no que diz respeito à gestão do tempo e da produtividade na trajetória para preparação para vestibulares ou concursos públicos.
Princípio dos 80/20 nos leva a entender que existe um desequilíbrio muito significativo entre ações realizadas e objetivos alcançados. Esse é o primeiro ensinamento que um estudante tem que ter em mente para se preparar bem para o desafio principal, é que a aprovação.
Uma realidade irrefutável é que, no cenário dos vestibulares e concursos, menos de 20% nos candidatos consegue êxito nos resultados das provas.
Sem desconsiderar os demais fatores importantes que interferem em tal resultado, podemos dizer que quase a totalidade desses candidatos tem um bom nível de conhecimentos em geral, mas que somente um pequeno percentual desse universo consegue alcançar o preparo necessário para conquistar sua vaga, ou seja, alcança o nível de eficácia nos estudos adequado para o desafio, a aprovação. De modo geral, muitos estudantes (80%) não se preparam como deveriam.
O QUE É MAIS IMPORTANTE?
A questão então não é quanto se preparam, mas como se preparam.
Portanto, essa pode ser a hora certa para você se perguntar: o que preciso mudar na forma de estudar e alcançar seus objetivos? Agora que você conhece algo sobre a Lei dos 80/20, deve aprender aplicá-la para administrar seu tempo, gerenciar sua produtividade (aprendizagem) e sua eficácia nos estudos. O segredo é aprender a priorizar as ações/estudo (20%) que proporcionem maiores resultados (80%).
Especificamente para os casos daqueles que irão enfrentar provas em breve e que se sentem pressionados pelo tempo e a ansiedade, recomendamos priorizar as seguintes ações e atitudes:
Conheça a universidade que você deseja estudar - Há candidatos, que num excesso de dedicação aos livros e às apostilas, sempre correndo contra o tempo, desprezam completamente uma interessante estratégia de auto-motivação: conhecer o lugar para o qual sonha conquistar um lugarzinho!
É muito importante visitar, circular um pouco pelo campus e senti-lo, ainda que seja somente uma mirada de perto. Se você puder, visite o campus, nem que seja no dia de fazer a inscrição (tente não delegar a outra pessoa essa experiência que é só sua!). Nesse dia, da inscrição, pode ser o seu primeiro dia no campus. Se for possível, visite também o site da instituição e leia tudo que puder, estude as fotos.
Sempre que se sentar para estudar, dedique uns segundos para relembrar seu passeio pelo campus no qual você estudará em um breve futuro.
Conheça o edital e o manual  Por mais surpreendente que pareça, há candidatos que recebem o manual do vestibular, passam uma vista  superficial e o deixam completamente de lado, seguindo seus estudos seguindo a escola ou curso preparatório que estão frequentando.
Saiba que é muito importante ter conhecimento de todo o edital e o manual do candidato antes de iniciar os estudos. Afinal, neles estão previsto todas as matérias que serão cobradas na prova, com sugestão de livros e de autores em alguns casos, além de regras, orientações e prazos a serem cumpridos.
Administre seu tempo –Estabeleça seu método de estudos. Faça um calendário de estudo, com dias, horários e matérias a serem estudados.  Determine o intervalo de tempo que vai estudar (já sabemos que não se trata de quantidade de horas, mas de qualidade e concentração de aprendizagem). Cumpra fielmente o calendário. Tenha disciplina.
Estude por livros que não sejam muito prolixos e complicados, que apresentem o conteúdo de modo fácil e prático. Não despreze um importante recurso que a metodologia científica pode dar a você: faça uma ficha de cada assunto estudado. Além de ajudar a apreender mais o tema, você terá um arquivo sucinto e útil para os momentos futuros de revisão, porque as anotações em tópicos das fichas ajudarão seu cérebro a relembrar os conteúdos.
Você pode também lançar mão do método dos mapas mentais para estudar objetivamente cada assunto. Da mesma forma, eles serão excelentes para apreender e para revisar conteúdos.
Atribua prioridades – Observe analiticamente seu estilo de estudo (e mesmo de outras atividades que desenvolva) para identificar aquilo que dá melhores resultados para você e aquilo que não.  Tente, portanto, identificar os 20 por cento mais relevantes de suas ações, dando prioridade a essas tarefas. Tente mudar ou abandonar aquelas ações e atitudes que vêm trazendo resultados ínfimos, pois não lhe serve.
Um exemplo bem prático é o caso das redações e dissertações universitárias. Se seu estilo vem sendo passar horas “mentalizando” e trabalhando em um único documento, você corre o risco de ser vencido pelo tempo e pela ansiedade de não decidir qual será a primeira palavra ou ideia a ser colocada no papel.
Experimente dedicar 10 minutos para criar quatro ou cinco rascunhos sobre o assunto. Em vez de ler um ou dois artigos cuidadosamente, passe os olhos em pelo menos sete diferentes abordagens para obter mais informações ou inspiração e poder desenvolver o seu ensaio com maior rapidez e qualidade.
Observe que a lei 80/20 é um recurso muito poderoso para ajudar a você a identificar esforço e energia desperdiçados para conseguir um objetivo. Em outras palavras, ela ajuda a você ter uma visão crítica de onde está empregando sua energia e concentração e para onde deve direciona-la para alcançar e superar os 80%. Por exemplo, 80% do que você costuma ver na TV não serve para nada na sua vida – selecione os 20% que são úteis. Igualmente acontece com jornais, revistas e redes sociais.  Faça o mesmo: foco nos 20% essenciais.
DICA ÚTIL: Saiba administrar seu tempo, deixando de lado os 80% triviais para aproveitar melhor os 20% fundamentais. Selecione melhor suas amizades, faça grupo de estudos identificados e motivados, observe e conviva com pessoas de sucesso.
Para ajudar a você nesse novo direcionamento de suas potencialidades, vale a pena lembrar uma frase de Thomas Edison, o homem da lâmpada: “Qualquer um pode alcançar o êxito se dirigir os pensamentos numa direção e insistir neles até que faça alguma coisa“.
O que você achou do princípio do Pareto 80/20? Você acha que é possível aplicá-lo na sua vida? E em qual área da sua vida, você mais precisa dele?

domingo, 5 de abril de 2015

O verdadeiro sentido da Páscoa


Por causa do comércio, o diabo tenta distorcer muitas verdades Bíblicas, como por exemplo, a Páscoa (Pessach), confundindo crianças, jovens e adultos até no meio evangélico, com a simbólica troca de “ovos de páscoa feitos de chocolate”, botados por coelhos, e segundo nos consta o coelho não bota ovos, muito menos de chocolate! 

A Páscoa é um símbolo de Amor, cuidado e proteção de Deus por nós. Quando o povo de Deus ainda escravo no Egito, a Páscoa foi estabelecida com o sinal do sangue de um cordeiro esborrifado nos umbrais das portas das casas dos israelitas para que o anjo da morte não atingisse os primogênitos das famílias de Israel. 

Duas condições básicas para sermos livres do poder do anjo da morte: 

01. Estar dentro da Casa – inseridos no Corpo Místico de Cristo – fazer parte da Igreja Universal dos Santos- lembre-se de Noé e sua família que foram salvos porque estavam dentro da Arca. A Arca é Cristo todo inclusivo, nós precisamos estar inseridos na Sua morte e ressurreição afim de vivermos nossa vida dentro do princípio da vida de cruz; para não ser atingido pelo anjo da morte era necessário que se estivesse em família reunida dentro de casa. Este aspecto fala da nossa comunhão preciosa com Deus e com nossos irmãos, neste tempo de tanta individualidades, tempos em que formamos zonas de seguranças e exacerbado exclusivismo para não permitimos que outros irmãos penetrem em nossas comunhões. 

02. Ter o Sangue do Cordeiro passado sobre os umbrais das portas – Ter a firme convicção de ter aceito a cobertura do Sangue precioso do Senhor Yehoshua, que foi derramado na Cruz do calvário. Tê-Lo recebido como Único e Suficiente Salvador e Senhor de nossas vidas. Mesmo se o indivíduo estivesse dentro da casa e não tivesse o Sangue passado nos umbrais das portas, ele não estaria livre da morte.

Então esta duas condições básicas teriam de ser cumpridas, uma e a outra simultaneamente. Hoje a Páscoa se cumpre em nossas vidas quando reconhecemos e aceitamos o Sangue do Senhor Yehoshua Há’Mashyach, o Cordeiro de Deus, como proteção e purificação de nossos pecados. Então a Páscoa não se trata de uma troca de ovos de chocolates botados por coelhinhos. A verdadeira Páscoa é Yehoshua. Celebraremos então o Senhor Yehoshua. Se quisermos ser livres da Morte Eterna, precisamos do Sangue do Cordeiro de Deus que nos protege e nos guarda para sempre. A Páscoa fala de estarmos inseridos na Vida, Morte e Ressurreição do Senhor Yehoshua.

A Páscoa, também chamada SÉDER (ordem) é uma palavra de origem hebraica, PÊSSACH-(PÊÇAR), que vem do verbo hebraico LIFSOACH AL, significando passar por cima ou passar poupando, tal como aparece na King James Version (A Versão Inglesa do Rei Tiago) "PASS OVER", surgiu conforme registra a Bíblia em SHEMOT (Êxodo) 12, no ano de 1500 antes da E.C, em GOSÉN, no Egito, nos últimos instantes que precederam a saída do povo judeu, após 430 anos de cativeiro egípcio, para a tão prometida e sonhada ERETZ ZAVAT HALAVE UDEVACHE (Terra que mana leite e mel).
Naquele exato momento, instantes que antecederam a última praga sobre os egípcios, a mortandade dos primogênitos, Deus determinou: "ISH SEH LE BÊITH AVOTH SEH LA BAITH (SHEMOT - Êxodo 12.3"). Um cordeiro HOMEM para cada casa, um cordeiro para cada família. - Observe que, em hebraico, macho é ZARRAH e fêmea é NEKEVA, e no texto citado não aparece ZARRA SEH, um cordeiro macho, mas, ISH SEH, um cordeiro homem.
Deus (YHWH), determinou ainda que cada família deveria tomar o cordeiro, simbolizando um homem (ISH SEH) matá-lo, recolher o sangue numa bacia e pintar as vergas e os umbrais das casas, para que, no momento em que o MALAK HA - MAVET (O anjo da Morte) passasse sobre o Egito para matar os primogênitos, não atingisse aqueles que estivessem nas casas pintadas com o sangue. O anjo passaria poupando da morte o povo que assim houvesse procedido. Porque assim disse Deus: VÊ-RAITÍ ÉT HADAM U-FASSÁRHTI ALEHEM - "E vendo Eu sangue, passarei por cima de vós." - SHEMOT (Êxodo 12.13b).
No capítulo 12 de Êxodo diz que todos os primogênitos do Egito foram mortos. Então, espiritualmente falando, até os primogênitos dos filhos de Israel, também foram mortos. É dai que temos essa grande lição. Entendemos claramente que todos os primogênitos foram mortos naquele dia. Tanto os primogênitos Judeus como os Egípcios. Isto não é uma heresia. Deixe-me provar em tese esta afirmação. Quando o Anjo da Morte passou pelas casas dos Judeus ele viu o Sangue do Cordeiro, que pré-figurava a morte de todos os primogênitos incluídos em Cristo. Para Deus ter sua ira aplacada só mesmo com a morte, pois o salário do pecado é a morte!!!
Precisamos repensar com muita seriedade acerca das comemorações paganizadas que invadiram nossas congregações e nossos lares e historicamente aceitamos este casamento com o mundo paganizado. Devemos considerar os aspectos espirituais que envolvem a Páscoa e não nos envolvermos com os festejos deste mundo que querem fazer-nos desviar do alvo, da Centralidade de nosso Senhor e Salvador Jesus Cristo, O Cordeiro Pascal e da Sua santa e bendita Palavra.
Finalmente, precisamos urgentemente de restaurarmos as verdades das Sagradas Escrituras afim de não incorrermos nos mesmos erros que muitos irmãos estão cometendo, envolvendo em práticas erradas por falta de conhecimento da Palavra de Deus.

domingo, 15 de março de 2015

QUANDO A GLÓRIA DE DEUS NOS ENCHE

2Crônicas 6 e 7:
1. INTRODUÇÃO
Os cristãos vivemos uma certa nostalgia da glória de Deus. É por isto que fazem tanto sucesso os promotores de espetáculos litúrgicos. Nós queremos ver, cheirar, tocar, ouvir e saborear a glória de Deus. Os antigos chamavam a toda manifestação espetacular presença de "teofania" (Deus aparecendo).
Para os caçadores de sinais, só o deus alcançável pelos sentidos do corpo é Deus. Eis o que nos estão a dizem aqueles que vivem dos sinais visíveis do Senhor. Jesus, Deus visível, enfrentou esta dinâmica humana. A cada milagre que fazia, a multidão esperava um milagre ainda maior. Foi por isto que Ele lhes pediu arrependimento e não aquele tipo de credulidade incapaz de um compromisso.
Enquanto alguns anseiam por esta teofania, pulando de circo em circo, outros a têm relegado, tratando-a como se fosse um estágio primário da revelação de Deus. Segundo esta visão, hoje, por já nos ter dado o Seu Verbo e a Sua Palavra, Ele não precisa mais lançar mão da fumaça e do fogo para ser notado pelos homens. Assim, devemos ler os relatos teofânicos, não como manifestações sólidas da presença de Deus, mas como produtos próprios da imaginação que o vê. A razão expulsou Deus para o território da poesia.
Permanecemos pendidos sob a emoção e a razão; continuamos cindidos entre a poesia e o concreto, como se fossem sensações e percepções antitéticas entre si.

2. O DEUS QUE SE MANIFESTA
O texto de 2Crônicas 7, que deveria ser lido junto com os capítulos 1 a 5 e também de 1Crônicas 28e 29, nos ajuda a sair deste impasse criado por visões excessivamente emocionalista ou racionalista. Este capítulo é o fechamento de um ciclo histórico em torno da construção do majestoso templo de Jerusalém por Salomão.
O capítulo 28, de 1Crônicas, apresenta os planos arquitetônicos para o templo. O capítulo seguinte registra as ofertas trazidas voluntariamente para esta construção. Os capítulos 2 e 3 narram a epopéia da edificação e do mobiliamento do santuário, resumidas na seguinte informação: Assim, se acabou toda a obra que fez o rei Salomão para a Casa do Senhor; então, trouxe Salomão as coisas que Davi, seu pai, havia dedicado; a prata, o ouro e os utensílios, ele os pôs entre os tesouros da Casa de Deus (2Crônicas 5.1).
Com a Casa pronta, o ato seguinte foi trazer a arca do Senhor para o interior do templo, colocada sob as asas dos querubins esculpidos (2Crônicas 5.7). Sinal da morada de Deus, a arca continha as duas tábuas do Sinai (2Crônicas 5.10).
Todos prorromperam em cânticos por poderem providenciar, com santo orgulho, um lugar para a arca da aliança, que vagara com o povo de Israel por sete séculos sem um lugar fixo. A colocação da arca do Senhor no templo do Senhor era a mais clara evidência de que o Senhor é bom e para sempre duradoura a sua misericórdia (2Crônicas 5.13).
Com a introdução da arca no templo, aconteceu, então, um fenômeno conhecido do povo de Israel ao tempo dos patriarcas, mas desconhecido na era dos reis. A presença de Deus se manifestou por meio de uma nuvem grossa, como era comum no deserto.
Em meio a este clima de grande emoção e comoção, Salomão fez a oração de dedicação do templo. Ele ficou de joelhos e estendeu as mãos sobre a congregação e fez uma das mais belas e completas orações da Bíblia (versos 6.12-42), que termina assim: Agora, pois, o meu Deus, estejam os teus olhos abertos, e os teus ouvidos atentos à oração que se fizer deste lugar. Levanta-te, pois, Senhor Deus, e entra para o teu repouso, tu e a arca do teu poder; os teus sacerdotes, o Senhor Deus, se revistam de salvação, e os teus santos se alegrem do bem.
Quando acabou a sua oração, o fogo desceu sobre o altar e consumiu os sacrifícios, de modo que ninguém mais teve dúvida de que Deus estava ali, em toda a sua visibilidade, embora não pudesse ser visto (verso 7.1). Diante daquela esplendorosa beleza, sempre de pé, todos os filhos de Israel, vendo descer o fogo e a glória do Senhor sobre a casa, se encurvaram com o rosto em terra, e adoraram, e louvaram o Senhor, porque é bom, porque a sua misericórdia dura para sempre (verso 7.4). O culto durou sete dias.

3. O QUE NOS TRANSFORMA
Se o aparecimento de Deus nos impressiona, como impressionou os contemporâneos de Salomão, que ficaram estonteados, a oração de Salomão, que antecedeu a esta manifestação, também nos deve impactar.
Deus se faz visível na sua manifestação e também nos seus atos, às vezes coletivos, às vezes subjetivos.
A visibilidade de Deus, como aprendemos com Salomão (versos 6.12-41), consiste em transformar nossas vidas, de modo que possamos, nós, imperfeitos, ter um relacionamento com o Perfeito.
Por isto, podemos dizer que:

1. A glória de Deus consiste na Sua manifestação espetacular mas também em ouvir as nossas orações. Em sua súplica, Salomão pede que Deus ouça ao seu povo. A resposta veio de forma espetacular, porque a oração é algo espetacular.
Quando oramos e entramos na presença de Deus, nós trememos. A força do Seu poder penetra nossos poros. É como se nos elevássemos; é como se levitássemos. Oração é emoção; é o encontro de nosso espírito com o Espírito de Deus
Não falo aqui da oração abra-cadabra, feita de palavras-chaves para abrir o coração do Pai. Não precisamos deste tipo de oração, porque o Seu coração já está aberto para os nossos. Este tipo de oração só agrada a quem a faz, nunca a Quem a recebe. Quem ora assim se engana, mas Deus não se deixa enganar. Precisamos rever nossas orações. Não existe a oração que funciona e a oração que não funciona, porque o nosso Pai não é um mágico cujos truques procuramos descobrir por meio de palavras.
Não falo aqui da oração burocrática, feita de palavras repetidas e de duração bem curtinha. Só por curiosidade, esta oração de Salomão tem 5 mil caracteres. Deve ter durado, quando feita, perto de uma hora, porque temos aqui mais um resumo do que a íntegra, porque não foi escrita originalmente, mas anotada a partir da experiência real. Não há como entrar na presença de Deus com oraçõezinhas para constar. Precisamos parar de achar que Deus é bobo e brincar de oração.
Falo, então, da oração feita de exaltação do ser de Deus, como fez o filho de Davi: O Senhor, Deus de Israel, não há Deus como tu, nos céus e na terra, como tu que guardas a aliança e a misericórdia a teus servos que de todo o coração andam diante de ti;  que cumpriste para com teu servo Davi, meu pai, o que lhe prometeste; pessoalmente, o disseste e, pelo teu poder, o cumpriste, como hoje se vê (versos 6.14-15). É assim que devemos comparecer perante o Senhor, com a certeza de que com Ele não há outro, como Ele ninguém mais faz, na história sagrada universal, mas na história sagrada de cada um de nós. Salomão compareceu diante de Deus como Aquele que cumpria o que prometia, cumprimento que prazerosamente experimentava sobre si.

2. A glória de Deus consiste na Sua manifestação espetacular, mas também em nos sustentar em nossas lutas. Em sua súplica, Salomão menciona as duas atividades centrais do povo de Israel: a agricultura e a guerra. A atividade agrícola dependia, e depende, da regularidade das chuvas, enquanto as vitórias militares precisavam de estratégia, equipamentos e recursos humanos.
Tudo o que o povo queria era que Deus o sustentasse no campo do cultivo e no campo das armas. Salomão ensina o povo, então, a confiar que o sustento e a vitória viriam, desde que houve trabalho e dependência, oração e ação. Israel esperava esta glória.
Por vezes achamos que Deus deveria impedir que os problemas da vida nos alcançassem. Então, ficamos um pouco (ou muito) decepcionados com Ele. No, entanto devemos admitir que há muitos problemas que não nos alcançam. Deles nos livra deles e sequer ficamos sabendo. Pensemos nisto. Nós só tomamos conhecimento daqueles que nos atingem. Nem sequer podemos agradecer a Deus pelos livramentos que não chegamos a ver.
Assim mesmo, somos atingidos por algumas (ou por muitas) dificuldades. Diante deles, Deus nos equipa para os suportarmos. Como o povo de Israel, nós precisamos e experimentamos os cuidados de Deus. Sim, o cuidado de Deus é uma manifestação da Sua glória. Quando os céus estão se abrindo sobre nós, é Deus se manifestando, embora tendamos a pensar que é a natureza produzindo os seus frutos, embora achemos que tudo decorreu de nossa competência. Quando as vitórias sobre os problemas ocorrem, é a glória de Deus nos alcançando. Nem sempre os céus se abrem com trovões, nem sempre as vitórias acontecem com fogos de artifício, mas mesmos assim continuam sendo teofanias, aparecimentos de Deus, sobre as nossas vidas. Por isto, muitas vezes os céus se abrem, as vitórias acontecem, e nós continuamos sisudos, e nós permanecemos pedindo o que já recebemos. Para muitos de nós, Deus só pode agir espetacularmente....

3. A glória de Deus consiste na Sua manifestação espetacular, mas também em nos restaurar à comunhão com Ele. Lembra Salomão que o Sennhor conhece os nossos corações (verso 6.30) e sabe como das nossas dificuldades em viver segundo os Seus caminhos todos os dias das nossas vidas (verso 6.31). Se tivéssemos que escolher qual a principal virtude de Deus que mais o distingue dos seres humanos, poderíamos anotar esta: a capacidade de perdoar. Ele nos perdoa porque quer viver em nossa companhia. Ele não quer viver longe de nós. É por isto que insiste para que vivamos segundo os Seus preceitos.
Ao longo da sua oração, Salomão pede que Deus ouça o seu povo, mas sabe que isto só acontecerá com a confissão dos erros deste povo. Deus não brilha onde há pecados não confessados, porque enquanto não os confessamos, nós vivemos neles. A santidade divina não consegue conviver com o pecado humano. Ele sabe que não há uma pessoa sequer que não tenha pecado; eis o que diz Salomão (verso 6.36, antecipando em mil anos o apóstolo Paulo (Romanos 3.23). O nosso pecado é um atentado à dignidade de Deus. O nosso pecado provoca a sua indignação (verso 6.36), porque o nosso pecado nos afasta dEle e nos faz viver de um modo que não o modo que Ele nos criou.
No entanto, esta mesma capacidade divina de se emocionar para a indignação se celebra na sua disposição pronta para nos perdoar. Por isto, as nossas orações precisam conter a dimensão da confissão, para que estejamos livres para entrar na presença de Deus e ver a sua glória. Quando nós lhe pedimos perdão, Ele nos absolve e então podemos ver o seu fogo queimando os nossos pecados. O seu perdão é Deus abrindo seus abraços, com um largo sorriso, como a dizer: "Ah! Como eu esparava para este momento. Vem".
Há que haver um momento em nossas orações  para a confissão dos nossos pecados. Antes de orar, façamos uma revisão dos últimos minutos ou horas e nos perguntemos: em que ofendemos a Deus? Nossa oração, então, será também um pedido de perdão. A resposta será a nossa restauração diante dEle (verso 6.27). A glória de Deus consiste em nos ouvir e nos perdoar. Não há perdão sem confissão, mas confissão que seja um real reconhecimento de que pecamos, e perversamente procedemos, e cometemos iniqüidade; e se converterem a ti de todo o seu coração e de toda a sua alma (verso 6.37).
Como seriam as nossas vidas se Deus não nos aceitasse de volta? Seríamos como aquele filho pródigo da parábola de Jesus, condenado por sua própria decisão a viver distante do Pai. A glória de Deus consiste em nos restaurar à Sua presença, restauração que acontecerá quando deixarmos os nossos caminhos para trilhar os seus caminhos.

4. PARA QUE A GLÓRIA DE DEUS SE MANIFESTE
Deus, em sua resposta a Salomão, põe as condições para que Sua glória nos alcance. Estas condições estão sintetizadas magistralmente em 2Crônicas 7.14: se o meu povo, que se chama pelo meu nome, se humilhar, e orar, e me buscar, e se converter dos seus maus caminhos, então, eu ouvirei dos céus, perdoarei os seus pecados e sararei a sua terra.

1. A glória de Deus nos enche quando nos identificamos com Ele (se o meu povo, que se chama pelo meu nome... -- 2Crônicas 7.14)
Esta identificação significa que devemos os nossos nomes ao Seu nome. Na linguagem do profeta Sofonias, Deus nos dá um nome, o seu próprio nome. (Eis que, naquele tempo, procederei contra todos os que te afligem; salvarei os que coxeiam, e recolherei os que foram expulsos, e farei deles um louvor e  um nome em toda a terra em que sofrerem ignomínia. -- Sofonias 3:19).

Esta identificação nos constitui: nós somos o povo de Deus. Segundo um salmista, nós somos povo do seu pasto e ovelhas de sua mão (Salmo 95.7). Ele é mesmo o nosso Pastor (Salmo 23.1). Ser seu povo não significa que Ele nos pertence, mas que nós Lhe pertencemos. Foi isto o que ele mesmo disse aos pioneiros do deserto: Agora, pois, se diligentemente ouvirdes a minha voz e guardardes a minha aliança, então, sereis a minha propriedade peculiar dentre todos os povos; porque toda a terra é minha (Êxodo 19.5) O apóstolo Pedro, três mil anos depois, nos descreveu como: raça eleita, sacerdócio real, nação santa, povo de propriedade exclusiva de Deus; assim fomos feitos para proclamar as virtudes daquele que nos chamou das trevas para a sua maravilhosa luz (1 Pedro 2.9).
Ser povo de Deus não nos deve encher de orgulho (como, por vezes, se ouve), mas de esperança. Como Suas ovelhas, a voz que importa ouvir é a Sua. Como Suas ovelhas, estamos guardados na palma da Sua mão. Como nosso Pastor, Ele cuida de nós. Como nosso Pastor, Ele provê as condições para que vivamos bem, que é o seu propósito para nós.

Esta identificação significa também que somos aqueles que chamamos pelo seu nome. Aprendemos a prática de invocar (clamar, chamar) o seu nome com Abraão, desde quando fixou sua tenda em Betel, há quatro mil anos (Gênesis 2.8). Elias nos ensinou também o que é invocar o seu nome: enquanto seus adversários berraram para que Baal se manifestasse; o profeta de Deus apenas orou a Ele e a sua glória consumiu tudo o que devia ser consumido no altar e em seu redor. Nesta oração, Salomão nos encaminha na mesma direção.

Esta identificação significa ainda que portamos o seu nome, como uma etiqueta gravada em nós. Onde quer que estejamos, dentro e fora das igrejas, somos o povo de Deus. Pedro não pôde esconder sua condição de discípulo de Jesus; Jerusalém era pequena demais para que ele pudesse se esconder. Hoje as condições para o auto-escondimento são maiores. Há muitos cristãos que arrancam do seu corpo a marca da propriedade exclusiva de Jesus. O choro de quem assim procede serão tão amargo quanto o de Pedro. Não precisamos ter vergonha. O nome que portamos é nome de amor, graça e luz; não há necessidade de o escondermos.
Antes que um peso, portar esta marca é um privilégio.
Nós somos o povo de Deus. Não podemos esquecer que Deus nos lega o Seu nome, que Deus nos constitui como Seu povo, que nós podemos invocar o seu nome, seja para exaltar o seu nome, seja para lhe pedir algo pelo poder do Seu nome.

2. A glória de Deus nos enche quando nós O buscamos (se o meu povo, que se chama pelo meu nome, se humilhar, e orar, e me buscar... -- 2Crônicas 7.14)
Precisamos de ir além de nos identificarmos como seu povo, para vivermos como um povo que busca a sua face.
Em Sua resposta, Deus espera que o Seu povo se humilhe, ore e o busque (verso 7.14). Estes três verbos são sinônimos ou indicam atitudes diferentes?
Gosto de pensar que são três momentos especiais de nosso relacionamento duradouro com Ele, desenvolvendo-se como uma gradação.

Humilhar-se é reconhecer os pecados cometidos contra Deus. Quando nos humilhamos diante de Deus, nós nos colocamos em nossos lugares. Quando nos colocamos em nossos lugares, nós colocamos Deus no Seu. Esta humildade significa reconhecimento dos nossos erros e exaltação da perfeição de Deus. Agora, então, podemos orar. Só podemos desenvolver a segunda atitude, tendo passado pela primeira. Só então podemos orar. É muito difícil orar porque é muito difícil a conjugação deste verbo na primeira pessoa (seja "eu me humilho", seja "que eu me humilhe").

Orar é travar com Deus um diálogo de desiguais, em que nós pedimos e esperamos, louvamos e descansamos. Orar é pedir por nós mesmos e pelos outros. Orar não é impor nossa vontade à de Deus. Antes, é esperar que o Espírito Santo conforme a nossa vontade à vontade do Pai (Romanos 8.27).
A oração é conseqüência de um estilo de vida. O estilo de vida de Deus é nos ouvir e responder. O estilo de vida de cada um de nós é considerar que não há uma decisão sequer de nossas vidas que não precise passar pelo crivo da aprovação de Deus, aprovação que obtemos por meio da oração. Quando tudo estiver bem em nossas vidas, devemos orar, agradecendo a Ele a dispensação de Seu favor para conosco. Quando, porém, não vier a chuva ou a natureza não der conta da produção para o consumo ou a doença nos atingir (verso 7.13), devemos orar, para que mande chuva, como Elias orou; para que nos proteja dos gafanhotos, transformando-os como alimentos, a exemplo do que fez para João Batista; para que nos ajude a superar as enfermidades, seja curando-nos delas, seja aliviando nossas dores, seja fortalecendo-nos para conviver com elas.

Buscar a face de Deus é ter prazer em estar em Sua presença. A festa da inauguração do templo tinha um sentido bem diferente do nosso: naquela época se acreditava que Deus morava no santuário para Ele preparado. Por isto, Salomão pôde proferir este solene convite: Levanta-te, pois, Senhor Deus, e entra para o teu repouso, tu e a arca do teu poder; os teus sacerdotes, o Senhor Deus, se revistam de salvação e os teus santos se alegrem do bem. (verso 6.41) E Deus aceitou o convite.
Agora, sabemos, cada um de nós é o santuário do Senhor. Aprendemos esta nova dimensão com Jesus Cristo, que se referia a si mesmo como santuário de Deus. Num dos seus diálogos, ele garante:

-- Destruí este santuário, e em três dias o reconstruirei.
Replicaram os judeus:
-- Em 46 anos foi edificado este santuário, e tu, em três dias, o levantarás?
Ele, porém, se referia ao santuário do seu corpo. (João 2.19)

O apóstolo Paulo solidifica esta doutrina, ao afirmar:
Não sabeis que sois santuário de Deus e que o Espírito de Deus habita em vós?
Se alguém destruir o santuário de Deus, Deus o destruirá; porque o santuário de Deus, que sois vós, é sagrado. (1 Coríntios 3:16-17)
Acaso, não sabeis que o vosso corpo é santuário do Espírito Santo, que está em vós, o qual tendes da parte de Deus, e que não sois de vós mesmos? (1 Coríntios 6.19)
Porque nós somos santuário do Deus vivente, como ele próprio disse: Habitarei e andarei entre eles; serei o seu Deus, e eles serão o meu povo. (2 Coríntios 6.16)

Como conciliar Salomão e Paulo? Para Salomão, o santuário de pedra e barro era o lugar onde Deus podia descansar. Para Paulo, o lugar deste descanso é o coração de cada um de nós.
Em nossas práticas temos sido excessivamente vetero-testamentários. Temos crido mais no templo de Deus do que no Deus no templo. Nosso Pai não habita em templos feitos pelas mãos humanas (Atos 17.24), mas no ser humano que Ele edificou. Não encontramos Deus no templo se não O trazemos conosco.
O santuário hoje é todo espaço que se abre para a celebração da presença de Deus. Pode ser um templo, uma casa, um auditório. O Senhor nele está quando seus filhos nele estão. O convite precisa ser feito. Enquanto não o convidarmos, Ele continuará do lado de fora.
Não devemos valorizar demais o templo, nem menosprezá-lo como um monte de pedra e barro. Contudo, não podemos esquecer que o tempo e o espaço do templo têm um lugar especial na adoração ao Senhor e no conhecimento da graça e da verdade reveladas em Jesus Cristo. Neste sentido, estar no templo significa que temos interesse em separar uma parte do nosso tempo para dedicar exclusivamente a Deus. Estar no templo dedicado à adoração e ao estudo da Sua Palavra mostra que somos individualmente Sua habitação e que queremos ampliar dentro de nós o espaço para sua morada.
Se fôssemos perfeitos, não precisaríamos da igreja-templo. Porque não o somos, precisamos dele para que cresçamos nesta direção. Se fôssemos suficientes em nós mesmos e não precisássemos de ninguém, não precisaríamos da igreja-instituição. Porque não o somos, precisamos dela para que um ajude ao outro em sua caminhada
Aqueles que participamos da vida de uma igreja desde criança, cedo aprendemos um verso de um salmo: Alegrei-me quando me disseram: Vamos à Casa do Senhor (Salmo 122.1).
Em meio a tantas possibilidades, alegremo-nos em estar na casa separada para a adoração a Deus, para a compreensão da Sua graça, para a experiência da Sua glória. Busquemos ao Senhor no santuário do nosso corpo e no santuário de terra, cimento, madeira, pedra e tinta que Ele nos mandou edificar.
Olhemos para os lados, não com a perspectiva de nós mesmos, mas com a perspectiva do Deus a quem cultuamos. Quando olhamos para o nosso irmão, podemos nos lembrar de nossas diferenças; quando olhamos para o nosso irmão com o olhar de Deus, nós nos lembramos que Ele é o nosso Senhor e é a Ele que adoramos. Ao longo dos dois livros de Crônicas (I e II), a expressão "todo o Israel" aparece 36 vezes. A experiência de culto era uma experiência coletiva. As pessoas tinham diferenças entre si, mas adoravam como se fosse um só povo. É assim que devemos adorar a Deus, esquecendo nossas eventuais diferenças, para que o nosso Senhor seja exaltado.
Nós estamos aqui para buscar a face de Deus, não para nos incomodarmos com aquilo com que discordamos. Passamos muito pouco tempo aqui para nos importarmos demais com o que não tem a importância, comparada à contemplação da face de Deus.

3. A glória de Deus nos enche quando nós nos convertemos a Ele (se o meu povo, que se chama pelo meu nome, se humilhar, e orar, e me buscar, e se converter dos seus maus caminhos... -- 2Crônicas 7.14).
O quarto verbo da ação humana esperada diz respeito à conversão. Entre o tempo de Salomão e o nosso, não houve nenhuma mudança na vivência deste verbo. Ele não precisa ser adaptado, mas apenas vivido.
No contexto de Israel, converter-se significava voltar-se exclusivamente para Deus, abandonando de vez todos os ídolos e deuses dos povos vizinhos, e também seguir fielmente aos preceitos fixados por Deus. Quando os caminhos dos homens se opõem aos de Deus, devem ser abandonados imediatamente. Esta é uma verdade ainda para hoje.
A experiência da conversão se tornou mais acessível graças a Jesus Cristo. Os sacrifícios necessários no Antigo Testamento foram substituídos por um único sacrifício, feito pelo próprio Deus. Sua morte na cruz apaga de uma vez por todas todos os nossos pecados. Uma pessoa se converte, agora, então, na perspectiva cristã, quando reconhece o pecado, o pecado de recusar o caminho de Deus, e aceita o sacrifício de Jesus em seu lugar.
Se queremos ver a glória de Deus, se queremos ver o amor de Deus nos alcançando, precisamos aceitar este amor, dispondo-nos a nos por no caminho que Deus nos preparou. Este caminho é o próprio Jesus.
Não há outra maneira de termos um relacionamento pessoal com Deus a não ser abrindo mão de nossos caminhos, maus porque dominados por interesses apenas pessoais, e tomando como nossos os de Deus em Jesus Cristo por e para nós. O convite do Pai é direto a todos nós:
Inclinai os ouvidos e vinde a mim; ouvi, e a vossa alma viverá; porque convosco farei uma aliança perpétua, que consiste nas fiéis misericórdias prometidas a Davi. (Isaías 55.3)
Vinde a mim, todos os que estais cansados e sobrecarregados [dos problemas da vida e dos próprios caminhos] e eu vos aliviarei. (Mateus 11.28)
Não dá para entender porque tantos se recusam à conversão, porque tantos recusam a se voltar para Deus, porque tantos se conformam em carregar sozinhos os seus fardos, porque tantos preferem o vazio. Graças à insistência de Deus, há muitos que têm aceito o seu convite, têm deixado seus próprios caminhos, têm deixado os seus pesos ao pé da cruz de Jesus Cristo, têm sido perdoados dos seus pecados, têm começado uma vida nova, pondo-se no caminho que Deus preparou para que todos vejam a Sua glória.

4. A glória de Deus nos enche quando nós O louvamos.
Uma das coisas impressionantes nas palavras de Salomão é o seu prazer em ver o templo construído. Sua oração, neste momento, é impressionante: Levanta-te, pois, Senhor Deus, e entra para o teu repouso, tu e a arca do teu poder; os teus sacerdotes, o Senhor Deus, se revistam de salvação, e os teus santos se alegrem do bem. (6.41)
O nosso louvor é o repouso de Deus, desde que acompanhado de sinceridade e santidade.
Só pode louvar a Deus aquele que se humilha. Se não, será uma auto-exaltação, não exaltação de Deus.
Só pode louvar a Deus aquele que ora. Se não, será apenas um espetáculo, uma bela manifestação artística, mas incompleta, para servir de repouso ao nosso Senhor. Nós somos capazes de nos deliciar com a técnica de nossos lábios, mas Ele, que aprecia a técnica, quer ver o cântico na sua origem, no interior da intenção onde nasce.
Só pode louvar a Deus aquele que se converte. Se não, será no máximo um lamento, um serviço a uma idéia ou a uma causa.
Só louva quem tem prazer em estar em Sua presença. Mais que isso: só louva quem tem prazer no prazer de Deus. (2Crônicas 6.41)

5. CONCLUSÃO
Não precisamos ter saudade do Deus do Antigo Testamento, nem do Novo. Ele é o mesmo ainda. A glória de Deus é Sua presença visível, não importa se de forma interior ou espetacular. Antes, lembremo-nos que, no Antigo Testamento, as manifestações grandiosas (Êxodo 19.9; Levítico 16.2) eram necessárias porque Deus era Alguém que se escondia, para não ser idolatrado, isto é, para não ser transformado em ídolo.
No Novo Testamento, esta presença se tornou SEMPRE visível, por meio de Jesus Cristo (João 1.14)

sexta-feira, 13 de março de 2015

Equilíbrio Teológico entre Calvinismo e Arminianismo


As respectivas posições fundamentais, tanto do Calvinismo como do Arminianismo, são ensinadas nas Escrituras. O Calvinismo exalta a graça de Deus como a única fonte de salvação — e assim o faz a Bíblia; o Arminianismo acentua a livre vontade e responsabilidade do homem — e assim o faz a Bíblia. A solução prática consiste em evitar os extremos antibíblicos de um e de outro ponto de vista, e em evitar colocar uma idéia em aberto antagonismo com a outra. Quando duas doutrinas bíblicas são colocadas em posição antagônica, uma contra a outra, o resultado é uma reação que conduz ao erro. Por exemplo: a ênfase demasiada à soberania e à graça de Deus na salvação pode conduzir a uma vida descuidada, porque se a pessoa é ensinada a crer que conduta e atitude nada têm a ver com sua salvação, pode tornar-se negligente. Por outro lado, ênfase demasiada sobre a livre vontade e responsabilidade do homem, como reação contra o Calvinismo, pode trazer as pessoas sob o jugo do legalismo e despojá-las de toda a confiança de sua salvação. Os dois extremos que devem ser evitados são: a ilegalidade e o legalismo. 

Quando Carlos Finney ministrava em uma comunidade onde a graça de Deus havia recebido excessiva ênfase, ele acentuava muito a responsabilidade do homem. Quando dirigia trabalhos em localidades onde a responsabilidade humana e as obras haviam sido fortemente defendidas, ele acentuava a graça de Deus. Quando deixamos os mistérios da predestinação e nos damos à obra prática de salvar as almas, não temos dificuldades com o assunto. João Wesley era arminiano e George Whitefield calvinista. Entretanto, ambos conduziram milhares de almas a Cristo. Pregadores piedosos calvinistas, do tipo de Carlos Spurgeon e Carlos Finney, têm pregado a perseverança dos santos de tal modo a evitar a negligência. Eles tiveram muito cuidado de ensinar que o verdadeiro filho de Deus certamente perseveraria até ao fim, mas acentuaram que se não perseverassem, poriam em dúvida o fato do seu novo nascimento. Se a pessoa não procurasse andar na santidade, dizia Calvino, bem faria em duvidar de sua eleição. 

É inevitável defrontarmo-nos com mistérios quando nos propomos tratar as poderosas verdades da presciência de Deus e a livre vontade do homem; mas se guardamos as exortações práticas das Escrituras, e nos dedicamos a cumprir os deveres específicos que se nos ordenam, não erraremos. "As coisas encobertas são para o Senhor Deus, porém as reveladas são para nós" (Deut. 29:29). Para concluir, podemos sugerir que não é prudente insistir falando indevidamente dos perigos da vida cristã. Maior ênfase deve ser dad
a aos meios de segurança — o poder de Cristo como Salvador; a fidelidade do Espírito Santo que habita em nós, a certeza das divinas promessas, e a eficácia infalível da oração. O Novo Testamento ensina uma verdadeira "segurança eterna", assegurando-nos que, a despeito da debilidade, das imperfeições, obstáculos ou dificuldades exteriores, o cristão pode estar seguro e ser vencedor em Cristo. Ele pode dizer com o apóstolo Paulo: "Quem nos separará do amor de Cristo? A tribulação, ou a angústia, ou a perseguição ou a fome, ou a nudez, ou o perigo, ou a espada? Como está escrito: Por amor de ti somos entregues à morte todo o dia; fomos reputados como ovelhas para o matadouro. Mas em todas estas coisas somos mais do que vencedores, por aquele que nos amou. Porque estou certo de que, nem a morte, nem a vida, nem os anjos, nem os principados, nem as potestades, nem o presente, nem o porvir, nem a altura, nem a profundidade, nem alguma outra criatura nos poderá separar do amor de Deus, que está em Cristo Jesus nosso Senhor" (Rom. 8:35-39). 

quinta-feira, 12 de março de 2015

ONÉSIMO – O ESCRAVO DE "FILEMOM":

Quem era Filemom? Filemom morava em Colosso, era cristão, rico e mantinha uma igreja em sua própria residência; como vemos em
Filemom 1:2: “E à nossa amada Afia, e a Arquipo, nosso camarada, e à igreja que está em tua casa”
Ao observar a carta de Filemon, vemos o apóstolo Paulo e os dois personagens; Onésimo e Filemon, em uma fascinante história que se assemelha ao plano da salvação para a humanidade.
Quem foi Onésimo? Era o escravo de Filemom que havia furtado alguma coisa do seu senhor, e havia fugido para Roma; e lá se encontrou com Paulo e este o evangelizou e o batizou.
Vendo a necessidade de corrigir o mal que Onésimo havia feito, Paulo o enviou de volta a Filemon, pedindo que este recebesse o seu escravo e o perdoasse.
A carta de Paulo à Filemom pode ser considerada uma lição prática do perdão e restauração entre o pecador e Deus.
Cada aspecto do perdão divino é visto no perdão que Paulo buscou para Onésimo.
A carta de Paulo à Filemon: Quando Paulo estava na prisão escreveu 4 cartas: Quais são as cartas? Efésios, Colossenses, Filipenses e Filemom
Filemom era um homem rico, fato que o permitia ter escravos. Naquela época era normal um homem rico ter escravos, e Filemom tinha os seus.
Um dos escravos de Filemom chamava-se Onésimo, e ele fugiu da casa de Filemon e conheceu Paulo, provavelmente na prisão em Roma.
Lá Onésimo foi evangelizado e batizado por ele, como vemos no seguinte verso: “Peço-te por meu filho Onésimo, que gerei nas minhas prisões.” Filemom 1:10. Como Onésimo tinha recebido as bases espirituais na casa do seu senhor, assim que chegou em Roma, logo procurou se agrupar com os cristãos de lá. E Paulo o evangelizou, e Onésimo foi batizado.
Filemon era amigo e filho na fé, de Paulo. Quando Paulo soube que Onésimo havia fugido da casa de um amigo, teve a iniciativa de tornar o assunto conhecido à Filemom, e solicitar o recebimento com amor e perdão para o escravo, e sugeriu até a sua libertação, como vemos:
“Não já como servo; antes, mais do que servo, como irmão amado, particularmente de mim, e quanto mais de ti, assim na carne como no Senhor? Assim, pois, se me tens por companheiro, recebe-o como a mim mesmo.” Filemom 1:16 e17
Qual tinha sido o pecado do escravo Onésimo? Onésimo havia roubado algo da casa do seu senhor, mas Paulo responsabilizou-se pelo homem: “E, se te fez algum dano, ou te deve alguma coisa, põe isso à minha conta. Eu, Paulo, de minha própria mão o escrevi; eu o pagarei, para te não dizer que ainda mesmo a ti próprio a mim te deves.” Filemom 1:18-19
Paulo era realmente amigo de Filemon, pois nele confiava, como vemos a seguir: “Escrevi-te confiado na tua obediência, sabendo que ainda farás mais do que digo. E juntamente prepara-me também pousada, porque espero que pelas vossas orações vos hei-de ser concedido.” Filemom 1:21-22. E Paulo era também uma grande autoridade eclesiástica que Filemom respeitava muito.
Qual era a pena para um escravo fugitivo? Era a morte. Paulo intercedeu pela vida do escravo Onésimo.
Qual é o significado do nome Onésimo? Significa útil, e Paulo diz a Filemon que ele era inútil, mas que, depois da sua conversão havia se tornado útil para o evangelho.
Quatro pontos para serem considerados neste episódio:
1) Onésimo tinha uma situação de pecador – Ele era ladrão, devedor, e merecia a morte ao ser encontrado. Em relação à lei vigente, poderia se dizer que ele era um pecador, ou um criminoso digno de morte.
“O qual noutro tempo te foi inútil, mas agora a ti e a mim muito útil; eu to tornei a enviar.” Filemom 1:11
“E, se te fez algum dano, ou te deve alguma coisa, põe isso à minha conta.” Filemom 1:18

Mas; e nós, o que somos? “Porque todos pecaram e destituídos estão da glória de Deus.” Romanos 3:23
“Porque o salário do pecado é a morte, mas o dom gratuito de Deus é a vida eterna, por Cristo Jesus nosso Senhor.” Romanos 6:23
“Como está escrito: Não há um justo, nem um sequer.” Romanos 3:10
2) Paulo intercedeu pelo escravo – Da mesma maneira Jesus Cristo intercede pelo pecador arrependido, por intermédio do Espírito Santo.

Paulo, além de apresentar a salvação eterna, concedeu ao Onésimo o livramento da morte, através de uma intercessão direta ao senhor de Onésimo, oferecendo seu próprio nome como garantia, como vemos no seguinte texto: “Assim, pois, se me tens por companheiro, recebe-o como a mim mesmo. E, se te fez algum dano, ou te deve alguma coisa, põe isso à minha conta.” Filemom 1:17-18

Jesus é o nosso intercessor, e podemos nos apresentar a Deus através do Seu nome. Ele paga nossas dívidas e nos redime.
“Mas Deus prova o seu amor para conosco, em que Cristo morreu por nós, sendo nós ainda pecadores.” Romanos 5:8
“Visto que temos um grande sumo-sacerdote, Jesus, Filho de Deus, que penetrou nos céus, retenhamos firmemente a nossa confissão. Porque não temos um sumo-sacerdote que não possa compadecer-se das nossas fraquezas; porém, um que, como nós, em tudo foi tentado, mas sem pecado. Cheguemos, pois, com confiança ao trono da graça, para que possamos alcançar misericórdia e achar graça, a fim de sermos ajudados em tempo oportuno.” Hebreus 4:14-16.
3) Onésimo fugiu do seu senhor - Há muitos por aí fugindo do Senhor Deus, de conhecê-Lo, de andar com Ele. De obedecê-Lo. Mas ao passar por dificuldades, ficam envergonhados de voltar. Mas Deus sempre inicia o resgate. Em defesa de Onésimo estava Paulo para socorrê-lo. Bastou o erro ser admitido para Paulo auxiliá-lo. A história de Onésimo somente retrata um homem carnal que fugiu do seu Senhor, mas encontrou um defensor no momento mais difícil de sua vida.
Infelizmente, a maioria das pessoas só lembra, e se abre para Cristo quando precisam de algum favor Dele. Quantos têm que chegar ao fundo do poço para entender o grande amor de Deus? Quantos fogem de Deus, largando tudo por uma pseudo liberdade?
Mas a boa notícia é que Jesus é nosso eterno defensor perante Deus; basta que o pecado e as falhas sejam confessados. É isso, Jesus veio para pagar nossa dívida, uma pendência pecaminosa que, como seres humanos, não teríamos condições de quitar; um débito espiritual.
Nunca é tarde para se arrepender, para voltar para os caminhos do Senhor, para se abrir para um novo tempo de renovação espiritual.
Se você é um Onésimo, um fugitivo de Deus, volte, ainda há tempo, pois Jesus é o seu defensor incondicional.
4) Onésimo aceitou a salvação de forma incondicional: Onésimo se tornou um servo de Paulo e não um escravo. Ele foi mas um fiel ajudador.
“Juntamente com Onésimo, amado e fiel irmão, que é dos vossos; eles vos farão saber tudo o que por aqui se passa.” Colossenses 4:9
“O qual noutro tempo te foi inútil, mas agora a ti e a mim muito útil; eu to tornei a enviar.” Filemom 1:11
Devemos nos tornar servos fiéis de Jesus Cristo, deixando de ser inúteis, e sendo muito úteis à Ele, pois ele nos comprou com o Seu sangue. Servir a Jesus é diferente de ser servido por ele. Muitos querem só receber de Cristo, mas o cristão fiel serve Àquele que nos livrou do império das trevas para o maravilhoso reino do Filho do Seu amor.
“Porque fostes comprados por bom preço; glorificai, pois, a Deus no vosso corpo, e no vosso espírito, os quais pertencem a Deus.” I Cor. 6:20.

quarta-feira, 4 de março de 2015

A melhor argumentação contra o Paradoxo de Epicuro

Teodicéia – por Ed René Kivitz

Texto de autoria de Ed René Kivitz

Acho que Epicuro foi quem formulou a questão a respeito da relação entre a onipotência e a bondade de Deus. A coisa é mais ou menos assim: se Deus existe, ele é todo poderoso e é bom, pois não fosse todo-poderoso, não seria Deus, e não fosse bom, não seria digno de ser Deus. Mas se Deus é todo-poderoso e bom, então como explicar tanto sofrimento no mundo? Caso Deus seja todo-poderoso, então ele pode evitar o sofrimento, e se não o faz, é porque não é bom, e nesse caso, não é digno de ser Deus. Mas caso seja bom e queira evitar o sofrimento, e não o faz porque não consegue, então ele não é todo-poderoso, e nesse caso, também não é Deus. Escrevendo sobre a Tsunami que abalou a Ásia, o Frei Leonardo Boff resume: “Se Deus é onipotente, pode tudo. Se pode tudo porque não evitou o maremoto? Se não o evitou, é sinal de que ou não é onipotente ou não é bom”.
Considerando, portanto, que não é possível que Deus seja ao mesmo tempo bom e todo-poderoso, a lógica é que Deus é uma impossibilidade filosófica, ou se preferir, a idéia de Deus não faz sentido, e o melhor que temos a fazer é admitir que Deus não existe.
Parece que estamos diante de um dilema insolúvel. Mas Einstein nos deu uma dica preciosa. Disse que quando chegamos a um “problema insolúvel”, devemos mudar o paradigma de pensamento que o criou. O paradigma de pensamento que considera o binômio “onipotência/bondade” como ponto de partida para pensar o caráter de Deus nos deixa em apuros. Existiria, entretanto, outro paradigma de pensamento? Será que as palavras “onipotência” e “bondade” são as que melhor resumem o dilema de Deus diante do mal e do sofrimento do inocente? Há outras palavras que podem ser colocadas neste quebra-cabeça?
Este problema foi enfrentado por São Paulo, apóstolo, em seu debate com os filósofos gregos de seu tempo. A mensagem cristã era muito simples: Deus veio ao mundo e morreu crucificado. Pior do que isso: Deus foi crucificado num “jogo de empurra” entre judeus e romanos, isto é, diferentemente dos outros deuses, o Deus cristão foi morto não por deuses mais poderosos, mas por homens. Sendo Deus, jamais poderia ser morto por mãos humanas, e sendo o Deus onipotente, jamais poderia nem mesmo ser morto. Paulo, apóstolo, estava, portanto, diante de um dilema semelhante ao proposto por Epicuro: Deus era uma impossibilidade filosófica.
Foi então que os apóstolos surgiram com uma resposta tão genial que os cristãos acreditamos que foi soprada pelo Espírito Santo: antes de vir ao mundo ao encontro dos homens, Deus se esvaziou da sua onipotência[i], isto é, abriu mão do exercício de sua onipotência, e por amor[ii], deixou-se matar por eles[iii]. (Eu disse que “Deus abriu mão do exercício de sua onipotência”, bem diferente de “Deus abriu mão de sua onipotência”).
O apóstolo Paulo admitia que não era possível pensar em Deus sem considerar o binômio bondade/onipotência. Optou pela palavra amor, assim como o apóstolo João, que afirmou “Deus é amor”[iv]. Jesus de Nazaré foi Deus encarnado na forma de Amor, e não Deus encarnado na forma de Onipotência.
Isso faz todo o sentido. Um Deus que viesse ao encontro das pessoas em trajes onipotentes chegaria para se impor e reivindicar obediência irrestrita, impressionando pela sua majestade e força sem iguais. Jung Mo Sung adverte que “a contrapartida do poder é a obediência, enquanto a contrapartida do amor é a liberdade”. Também assim pensou o apóstolo Paulo, ao afirmar que o que constrange as pessoas a viver para Deus é o amor de Deus (demonstrado na morte de Jesus na cruz)[v], e nunca o poder de Deus.
Na verdade, “Deus não tinha escolha”. Ao decidir criar o ser humano à sua imagem e semelhança, deveria criá-lo livre. Desejando um relacionamento com o ser humano, deveria dar ao ser humano a liberdade de responder voluntariamente ao seu amor, sob pena de ser um tirano que arrasta para sua alcova uma donzela contrariada. Somente o amor resolveria esta equação, pois somente o amor dá liberdade para que o outro seja livre, inclusive para rejeitar o amor que se lhe quer dar.
André Comte-Sponville é um ateu confesso (sei que vou levar pedradas) que discorre a respeito do amor divino como poucos que já li. Acredita que o amor divino é um ato de diminuição, uma fraqueza, uma renúncia. Usa os argumentos de Simone Weil: “a criação é da parte de Deus um ato não de expansão de si, mas de retirada, de renúncia. Deus e todas as criaturas é menos do que Deus sozinho. Deus aceitou essa diminuição. Esvaziou de si uma parte do ser. Esvaziou-se já nesse ato de sua divindade. É por isso que João diz que o Cordeiro foi degolado já na constituição do mundo. Deus permitiu que existissem coisas diferentes Dele e valendo infinitamente menos que Ele. Pelo ato criador negou a si mesmo, como Cristo nos prescreveu nos negarmos a nós mesmos. Deus negou-se em nosso favor para nos dar a possibilidade de nos negar por Ele. As religiões que conceberam essa renúncia, essa distância voluntária, esse apagamento voluntário de Deus, sua ausência aparente e sua presença secreta aqui embaixo, essas religiões são a verdadeira religião, a tradução em diferentes línguas da grande Revelação. As religiões que representam a divindade como comandando em toda parte onde tenha o poder de fazê-lo são falsas. Mesmo que monoteístas, são idólatras” [vi].
Você já imagina onde quero chegar. Isso mesmo, entre a onipotência e a bondade de Deus existe a liberdade do homem, e o compromisso de Deus em respeitar esta liberdade. Isso ajuda a entender porque existe tanto sofrimento no mundo. O mal não procede de Deus e não é promovido ou determinado por Deus. O mal é conseqüência inevitável da liberdade humana, que teima em dar as costas para Deus e tentar fazer o mundo acontecer à sua própria maneira. Diante do mal e do sofrimento, o Deus com os homens, encarnado em Amor, também sofre, se compadece, tem suas entranhas movidas de compaixão[vii].
Mas você poderia perguntar por que razão Deus não acaba com o mal. Isso é simples: Deus não acaba com o mal porque o mal não existe, o que existe é o malvado. O mal não é uma entidade ao lado de Deus. O mal é o resultado de uma ação humana em afastar-se do Deus, sumo bem. O monoteísmo cristão afirma que há um só Deus, e que o mal é a privação da presença de Deus. Os cristãos não somos dualistas que postulamos a existência do bem e do mal. O mal é apenas a ausência do bem. Por isso, o mal não existe, o que existe é o malvado, aquele que faz surgir o mal porque se afasta de Deus, o supremo e único bem.
Ariovaldo Ramos me ensinou assim, e completou dizendo que “para acabar com o mal, Deus teria que acabar com o malvado”. Mas, sendo amor, entre acabar com o malvado e redimir o malvado, Deus escolheu sofrer enquanto redime, para não negar a si mesmo destruindo o objeto do seu amor. Por esta razão Deus “se diminui”, esvazia-se de sua onipotência, abre mão de se relacionar em termos de onipotência-obediência, e se relaciona com a humanidade com base no amor, fazendo nascer o sol sobre justos e injustos[viii], e mostrando sua bondade, dando chuva do céu e colheitas no tempo certo, concedendo sustento com fartura e um coração cheio de alegria a todos os homens[ix].
É uma pena que Epicuro não tenha lido os apóstolos cristãos, não tenha corrido no parque ao lado de Ricardo Gondim, não tenha ouvido Ariovaldo Ramos pregar, e nem tenha assistido às aulas de Jung Mo Sung.

sábado, 14 de fevereiro de 2015

A Vida de Samuel


Quem era Samuel? Mais de mil anos antes do nascimento de Cristo, um jovem cresceu como auxiliar de idoso sacerdote, no Tabernáculo de Israel. Embora a vida no Tabernáculo fosse tão corrupta quanto em todo o resto da nação, aquele jovem, Samuel, aprendeu a conhecer a voz de Deus na sua mocidade, e andou irrepreensivelmente em toda a sua vida, a ponto de chegar a ser um pioneiro espiritual. Ele fundou a linhagem de profetas que iriam tornar-se a única voz verdadeira de Deus para a nação, na perspectiva dos séculos futuros. A corrupção moral que ele testemunhou até na casa de Deus, jamais maculou a sua vida. A maior parte da vida ele serviu tanto como sacerdote quanto juiz. Foi o último dos grandes juizes. 

Chamavam-no juiz itinerante, pois ele fazia um circuito em Betel, Gilgal, Mizpá e Ramá, administrando justiça. Ele preencheu um cargo político na maior parte da vida, sem uma única mancha em sua carreira. Sob sua direção como vidente, ou profeta, formou-se a monarquia, e ele ungiu os primeiros dois reis de Israel, Saul e Davi. 

Como era a vida na época de Samuel? As escrituras registraram que na época dos Juízes “cada um fazia o que achava mais reto”. Ocasionalmente, subvertida a opressão causada por uma nação vizinha, e levava o povo de volta à adoração do Senhor. Geralmente, durante esses períodos, prevaleciam anarquia, iniqüidade e imoralidade de toda espécie. Eram períodos violentos de transição em toda a nação. 

Condições que produziam facilmente os homens mais malignos. Porém, dessa era confusa e degenerada, emergiu Samuel, homem íntegro, que andou diante do Senhor como Seu profeta, durante toda a sua vida.

Que problemas semelhantes aos nossos Samuel enfrentou? Os tempos eram perigosos por causa de freqüentes guerras. Naquela época, como hoje, a ameaça de guerra era como nuvem negra que estava sempre suspensa sobre a nação civilização, como nos tempos de Samuel. A tendência de se conformar com o curso dos eventos afetou até os sacerdotes. Naquela época, como agora, era difícil recusar-se a se conformar e “seguir a multidão em fazer o mal.”

Como foi que Samuel resolveu os seus problemas? Samuel significa “Pedido a Deus”, pois a sua mãe Ana era estéril quando pedira um filho a Deus. Com uma mãe que orava, Samuel parecia destinado a ser um homem de oração durante toda a sua vida. Quando os filhos de Eli eram imorais e cobiçosos no Tabernáculo, Samuel estava aprendendo a voz de Deus, e continuou a ser um homem poderoso em oração durante todos os seus anos. Veja I Samuel capítulos 7, 8 e 12:14-23. Embora ele tivesse nascido para o sacerdócio e fosse de família levítica (I Crônicas 6:33-38). É conhecido melhor como o “profeta de oração”. Todos os problemas, então como agora, têm solução diante do trono de Deus.

A vida e as oportunidades de Samuel foram maiores ou menores do que as nossas? O que é que você acha? É difícil responder com segurança. Samuel viveu como jovem em tempos quando a palavra do Senhor era rara (I Samuel 3:1). A vida naquela época não corria no ritmo de hoje em dia, pois Canaã ainda era uma nação agrícola e pastoril. Se as suas oportunidades de cultura eram menores do que as nossas, ele deve ser recomendado por tê-las aproveitado para aprender dos rolos antigos, e ter-se tornado um juiz tão fiel. As comunicações e os transportes daquela época e de hoje, são dois mundos diferentes, mas lembre-se de que as cidades da época de Samuel (Silo, Betel, Ramá, Jerusalém, Gibea), estavam a uma distância média de apenas oito a dez quilômetros uma da outra. O seu mundo era menor.
  
Leitura designada: Samuel 1 a 16; 19:18-24: 25:1; 28. 
  
Esboço da Vida de Samuel
1. Ele nasceu em resposta à oração – I Samuel 1.
2. Ele cresceu no Tabernáculo, e foi chamado por Deus ainda menino – I Samuel 2 e 3.
3. Através de suas orações, os filisteus foram derrotados – I Samuel cap. 4 a 7.
4. Ele ungiu o primeiro rei – Saul – I Samuel 8 a 10.
5. Ele pronunciou julgamento sobre Saul. I Samuel cap. l1 a 15.
6. Ele ungiu a Davi como o segundo rei de Israel – I Samuel 16.
7. A poderosa escola de profetas de Samuel – I Samuel 19:18-24.
8. A morte de Samuel – I Samuel 25:1.

Perguntas para Estudo e Discussão
1. Quanto você acha que Samuel devia à sua mãe, Ana?
2. A influência e a experiência do menino Samuel no Tabernáculo foi sempre elevado e boa? 
3. Apresente tantos incidentes de oração na vida de Samuel, quanto puder. Discuta- os.
4. O que é um “vidente”?
5. Os profetas são mencionados muitas vezes na Bíblia, antes de Samuel?
  
Grandes Temas da Vida de Samuel
O perigo de Indulgência Paterna - I Samuel 2; 8:1-105.
Obediência Completa - I Samuel capítulo 15.
Oração na Vida de Samuel – I Samuel 7:5-8; 8:6; 12:17 e 15:1; Salmo 99:6; Jeremias 15:1; Hebreus 11:32-40 
Samuel – Fiel a Deus em Tempos Maus.

Versículos para Decorar: I Samuel 1:27-28, 2:35; 12:23-24; 15: 22 e 16:7.