segunda-feira, 23 de setembro de 2013



O pão e o vinho são elementos proféticos nas Escrituras. Aparecem já no primeiro livro da Bíblia, quando o sacerdote Melquisedeque celebra a primeira Ceia da História (Gn 14:18).
O pão e o vinho simbolizam o Corpo do Senhor Jesus. O pão é feito do grão de trigo moído, e o vinho da uva espremida. Tanto o pão quanto o vinho têm algo em comum: o elemento que compõe a matéria prima de ambos tem que ser triturado antes de dar à luz o seu produto final, o que profeticamente aponta para o castigo de Cristo no Calvário que nos trouxe a paz. Como ele, carregamos sua cruz, morrendo para as vaidades da vida e para nossas imoralidades. Como Ele, andamos em singeleza de coração e santidade de vida. Somos o grão de trigo que necessita morrer para poder dar seu fruto (Jo 12:24). Somos a uva que necessita ser espremida para poder dar o vinho que alegra a alma e faz o rosto brilhar (Salmo 104:15).
O pão e o vinho são os elementos principais da Ceia do Senhor. Muito mais além de somente apontar para a morte de Cristo, a Santa Ceia aponta para a glória de sua ressurreição na Igreja, que é o seu Corpo. Se não tomarmos seu Sangue e não ingerirmos de sua Carne, não temos vida em nós mesmos (Jo 6:48-57). Mas quando tomarmos seu Sangue e ingerirmos de sua Carne, recebemos a Vida e formamos um só Pão na terra (1 Cor 10:17), o Pão vivo que vem do céu (Jo 6:51). A Carne e o Sangue são o combustível de nossa alma, a Árvore da Vida que foi perdida no Jardim do Éden e nos foi devolvida por meio do Filho. É o símbolo de nossa união com Cristo, por meio da qual nos tornamos um com Ele assim como Ele é um com o Pai (Jo 17:21-23). A Ceia do Senhor é o ato profético que aponta para este momento. Como sua Noiva, a Igreja que somos, somos feitos uma só carne com Ele ao ingerirmos de sua Carne e tomarmos seu Sangue, recebendo em nós o sêmen divino da Vida, tornando-nos depositários da Glória que lhe foi dada em carne, para que o mundo creia que o Pai enviou o Filho, e que o Filho enviou a nós.
O pão e o vinho também são elementos principais nos banquetes cotidianos da Igreja neotestamentária. A vida daEkklesia bíblica não girava em torno de eventos religiosos, e sim em torno da mesa da comunhão. Neste sentido, aEkklesia se parece mais com um enorme banquete em família do que com as rígidas e gélidas instituições religiosas de nossos dias. Ao partir o pão e compartilhar o vinho, os santos compartilham suas vidas. Se buscarmos nas Escrituras alguma diretriz acerca de como realizar um culto, nada encontraremos, pois a ênfase da Igreja neotestamentária estava na convivência dos santos e relacionamentos profundos, por meio dos quais juntas e medulas interligadas formam o Corpo de Cristo na terra (Ef. 2:21-22). A Ekklesia bíblica não pode ser representada por um edifício, ou um evento domingueiro. Sua verdadeira imagem é a de uma família que se reúne para comer pão e beber vinho, juntos buscando a Deus em simplicidade de coração e ortodoxia.
Pão e Vinho reflete o clamor por uma Igreja que encarne os princípios acima: santidade, Vida, comunhão e simplicidade.

Os cristãos e a responsabilidade social - Reflexões sobre o Pacto de Lausanne

                                         

                                            A RESPONSABILIDADE SOCIAL CRISTÃ

 Afirmamos que Deus é o Criador e o Juiz de todos os homens. Portanto, devemos partilhar o seu interesse pela justiça e pela conciliação em toda a sociedade humana, e pela libertação dos homens de todo tipo de opressão. Porque a humanidade foi feita à imagem de Deus, toda pessoa, sem distinção de raça, religião, cor, cultura, classe social, sexo ou idade possui uma dignidade intrínseca em razão da qual deve ser respeitada e servida, e não explorada. Aqui também nos arrependemos de nossa negligência e de termos algumas vezes considerado a evangelização e a atividade social mutuamente exclusivas. Embora a reconciliação com o homem não seja reconciliação com Deus, nem a ação social evangelização, nem a libertação política salvação, afirmamos que a evangelização e o envolvimento sócio-político são ambos parte do nosso dever cristão. Pois ambos são necessárias expressões de nossas doutrinas acerca de Deus e do homem, de nosso amor por nosso próximo e de nossa obediência a Jesus Cristo. A mensagem da salvação implica também uma mensagem de juízo sobre toda forma de alienação, de opressão e de discriminação, e não devemos ter medo de denunciar o mal e a injustiça onde quer que existam. Quando as pessoas recebem Cristo, nascem de novo em seu reino e devem procurar não só evidenciar mas também divulgar a retidão do reino em meio a um mundo injusto. A salvação que alegamos possuir deve estar nos transformando na totalidade de nossas responsabilidades pessoais e sociais. A fé sem obras é morta." (Pacto de Lausanne)
Esse documento possui 15 artigos e reafirma temas fundamentais para a igreja cristã, especialmente a evangelização e responsabilidade social da igreja.
Ainda hoje, passado todos esses anos, não há duvida que o Pacto de Lausanne é como um estrondeante instrumento que ainda ecoa aos ouvidos da igreja na finalidade de que a mesma seja despertada para enfrentar os desafios atuais, pois mesmo depois de quase quatro décadas de sua promulgação os desafios ainda existem e precisam ser superados. Esses desafios são gerais e também de ordem particular nos indivíduos que se reconhecem como igreja.
Assim, inúmeros são os desafios que tem se colocado diante da igreja atualmente. Talvez, o maior de todos esses desafios é conscientizar cada membro do corpo de Cristo a se tornar um cristão relevante, que venha investir todos os seus dons e talentos em prol de sua comunidade, e num sentido mais amplo, para a própria sociedade. Para isso, é preciso procurar conhecer, estudar e se engajar diante das demandas sociais e políticas de nossas comunidades, levantando uma voz de consolo e esperança para pessoas sofridas e necessitadas.
Outro desafio a ser enfrentado, é reafirmar não só em discurso, mas em atividades também todos os artigos do Pacto de Lausanne, principalmente no que diz respeito a evangelização mundial, pois apesar da notoriedade que esse pacto trouxe ao evangelismo e missões, as igrejas locais têm feito muito pouco com respeito a isso. Precisa-se fazer muito mais para alcançar pessoas e nações com o Evangelho, acreditando que esse mesmo evangelho são as boas novas de Deus para todo o mundo.
Portanto, todos esses desafios têm me estimulado a buscar propósito para minha vida e ministério, começando por aceitar os postulados que preservam minha fé evangélica. Em seguida, sempre buscar o preparo para superar todas as dificuldades a ser enfrentadas, no intuito de ajudar construir uma sociedade marcada pela paz, justiça e tratamento igualitário a todas as pessoas.

quarta-feira, 18 de setembro de 2013

Pacto de Lausanne


Suíça
150 países, 2700 líderes, 1974.

Pacto: Contrato que impõe obrigações.
(Não é  só declarar, mas fazer).

Introdução


Pacto de Lausanne – A mais significativa das confissões sobre o evangelismo já produzida pela Igreja.1 – 50% dos delegados eram oriundos do terceiro mundo.

O documento marcou uma parcela significativa das comunidades evangélicas de todo o mundo. Que a mensagem do evangelho não inclui apenas as boas novas da salvação individual, mas o projeto para que os cidadãos celestiais, os salvos em Cristo, manifestam os sinais do Reino na sociedade decadente em que estão inseridos. Ser sal, ser luz.
A Igreja de Cristo ao longo da história procurou não fazer uma dicotomia entre evangelização e ação social, consciente e transformadora:
  1. Recuperar a unidade da Igreja na prática de nossa missão.
  2. Aprofundar o conceito de missão integral.
  3. Assumir os riscos desse envolvimento.
  4. Evitar os desvios que nos levam para longe de Deus e  da sua vontade.
  5. Resgatar o caráter profético do sermão.
  6. Não permitir o retrocesso na prática de missões.

Tocados pelo que Deus vem fazendo em nossos dias, movidos ao arrependimento por nossos fracassos e desafiados pela tarefa inacabada da evangelização, as boas novas da salvação para todo o mundo, obediência (por graça) de proclamar e fazer discípulos.
a. Cristãos que levam tanto Cristo como a Igreja a sério
b. Não podendo chamar Cristo de Senhor sem serem responsáveis de sua nova comunidade.
c. Convencidos de que Deus vem fazendo (agindo).
d. Arrependimento x Triunfalismo (substituindo por humildade).
e. Reconhecendo nossas falhas e a consciência da ação de Deus nos leva ao desafio da evangelização.

1. Deus e seu propósito
1. O ser que Deus é: 

a. Um ser eterno e ativo, Criador e Senhor do mundo (Is 40:28).
b. Tanto um como três, que governa todas as coisas segundo a sua vontade.

2. O propósito de Deus.

Chamar um povo para si, a Igreja, povo de peculiar propriedade de Deus, que tem chamado do mundo e enviado ao mundo como servos e testemunha, para estender o Reino e edificar o “Corpo de Cristo”, para a glória dele mesmo (Deus).
Que muitas vezes negamos o chamado e falhamos na missão.
Como vasos de barro transportamos o tesouro, o Evangelho, e na nossa fraqueza o poder de Deus se destaca.

2. A Autoridade e o Poder da Bíblia.

  1. Autoridade.
    1. Inspiração – Homens movidos pelo Espírito Santo a tal ponto que se poderia dizer que os lábios de Deus a proferiram (A Palavra de Deus – Assim diz o Senhor:)
    2. Veracidade – Sendo a Palavra de Deus escrita é verdadeira (Nm 23:19) em tudo o que afirma.
    3. Autoridade – A conseqüência lógica das afirmações anteriores. Única regra de fé e prática.

  1. O Poder da Bíblia.
Para cumprir o seu propósito.
    1. Quando Deus fala também age (vê-se claramente no relato da criação).
    2. O Evangelho é o Poder de Deus para salvação (Rm 1:16).
    3. O Espírito Santo a usa, fala e age através dela (1Co 2:1-5, 1Ts 1:5, 1Pe 1:21).

  1. A mensagem da Bíblia é a mesma para toda a humanidade e destina-se a ela, é imutável, através dela o Espírito Santo fala ainda hoje.
Deus ilumina as mentes do seu povo de modo a perceberem a sua verdade em toda cultura, de maneira sempre nova. Assim toda a Igreja deve receber a revelação integral de Deus.

3. Unicidade de Cristo.

Um só Salvador e um só Evangelho.
O Novo Testamento é diversidade sem conflito.

    1. Unicidade de Cristo, Ele é o Salvador.
      1. Há somente um Salvador, e mediador, Cristo (1Tm 2:5-6, At 4:12).
      2. Deus ama todos os homens (?) x Eleição, a Bíblia ensina ambas as verdades.

    1. Universalidade de Cristo, Ele é o Salvador do mundo.
      1. Por ser único deve ser proclamado por todo o mundo.
      2. Nem todos os homens serão salvos.
      3. O convite deve ser estendido a todos.
4. A Natureza da Evangelização.
  1. Boas novas em Cristo.
  2. Morreu por nossos pecados.
  3. Ressuscitou segundo as Escrituras.
  4. È Senhor e Rei.
  5. Oferece perdão de pecados e o dom do Espírito Santo a todos os que se arrependerem e crerem.
  6. Cristo bíblico e histórico como Salvador e Senhor.
  7. Persuadir as pessoas a se reconciliarem com Deus.
  8. O prelúdio da evangelização.
    1. Presença (contato).
    2. Proclamação (Jesus bíblico e histórico).
    3. Persuasão (honesta e franca).
    4. Diálogo (indispensável).

  1. O objetivo da evangelização é a conversão.

5. Responsabilidade social cristã.

Toda pessoa possui uma dignidade intrínseca porque foi feita imagem de Deus.
O dever social político faz parte do cristão (a fé sem obras é morta).
O testemunho do século XIX na Inglaterra foi notável.2

  1. Doutrina de Deus.
    1. Criador e juiz de todos os homens.
    2. Devemos partilhar o seu interesse pela justiça.
    3. Pela reconciliação do homem com Ele.
    4. Libertação de todo jugo e opressão.

  1. Doutrina do homem.
    1. A responsabilidade social.
    2. Evangelização.
    3. Doutrina da salvação.
    4. Salvação e libertação do mal.

  1. Doutrina de Reino.
    1. Quando se recebe a Cristo se nasce de novo no seu Reino.
    2. Ser cidadão do Reino é ansiar por justiça.

6. Igreja e Evangelização.

  1. Somos enviados a exercer a missão sacrificial de levar o evangelho integral ao mundo todo.
  2. O povo remido é a agência de Deus na terra.

7. Cooperação na Evangelização.

Evangelização que nos convoca a unidade.
Devemos estar unidos em comunhão.
Rejeitar o individualismo propõe o empenho numa unidade mais profunda.

  1. Missão da Igreja.
    1. A missão de Cristo é modelo para a Igreja.
    2. Cristo não ficou a parte da vida e dos sofrimentos do mundo.
    3. É preciso penetrar na sociedade não cristã.
    4. A evangelização integral ao mundo.

B. Integridade da Igreja.
  1. Se, esperamos ser ouvidos, precisamos viver o que pregamos.
  2. A cruz precisa ser tão central em nossas vidas como ela o é em nossas mensagens.
  3. Quando a Igreja não vive o que prega, ela é pedra de tropeço para o Evangelho.
  4. A Igreja está acima de todas as organizações humanas.

C. A unidade da Igreja.
  1. A unidade invisível e indestrutível precisa se tornar visível.
  2. A nossa desunião enfraquece o evangelho da reconciliação.
  3. A unidade visível deve manifestar-se por uma confissão.
  4. A única unidade que agrada a Deus é a unidade na verdade (fé bíblica, comunhão uns com os outros nas obras e no testemunho).
  5. Precisamos aprender a planejar e trabalhar juntos.

8. Esforço congregado de igrejas na evangelização.

  1. A responsabilidade de evangelizar pertence a todo Corpo de Cristo.
  2. Processo permanente de reavaliar nossa responsabilidade e ação missionária.
  3. O esforço congregado revelará o caráter universal da Igreja de Cristo.

9. Urgência da Tarefa de Evangelização.

A. Dois bilhões e setecentos milhões de pessoas ainda por ser evangelizadas (?)3
.
  1. A tarefa de evangelizar pertence a todo povo de Cristo.
  2. A tarefa vem sendo desenvolvida pela Igreja e Instituições para-eclesiásticas (Deveriam ser departamentos na Igreja).
  3. A responsabilidade é alcançar a área que está plantada, bem como enviar missionários a outras partes do mundo.
  4. O Concílio de Lausanne reconheceu como válido a existência das Instituições Para-Eclesiásticas.

  1. Existe uma receptividade sem precedentes ao Senhor Jesus Cristo.
    1. Ocasião própria para a evangelização mundial.
    2. Liberar recursos para as áreas não evangelizadas.

  1. Estamos chocados com as injustiças que provocam a pobreza.
    1. Os cristãos que vivem em opulência, tem uma obrigação em particular.
    2. Devemos desenvolver um estilo de vida simples, e contentar-nos com o que é necessário à vida.
    3. Contribuir generosamente para aliviar e evangelizar os necessitados.

10. Evangelização e Cultura.

  1. A cultura deve ser julgada e provada pelas Sagradas Escrituras.
  2. O Evangelho avalia todas elas (culturas) segundo seu próprio critério.
  3. A Igreja tem que procurar transformar e enriquecer a cultura.



11. Educação e Liderança.

Um estilo cristão de liderança, não em termos de domínio, mas de serviço.
Em toda nação e cultura deve haver um eficiente programa de treinamento para pastores e leigos, desenvolvidos a partir de iniciativas locais criativas, de acordo com os padrões bíblicos.

    1. A Cultura deve ser testada e aprovada pelas Escrituras.
  1. Deve ser julgada pelas Escrituras.
  1. O evangelho não pressupõe a superioridade entre uma cultura e outra.
  2. As missões tem exportado a cultura com o Evangelho.

    1. Liderança.
  1. O crescimento numérico não justifica o detrimento espiritual.
  1. Toda Igreja deve ter líderes nacionais.
  2. Há necessidade de desenvolver educação teológica.

12 e 13. Conflito Espiritual / Liberdade e Perseguição.

A Igreja deve esperar feroz oposição.

    1. Oposição:
  1. Conflito espiritual contra os principados e potestades.
  1. Falsas ideologias fora da Igreja.
  2. Armas morais e intelectuais (Pecado e mundanismo – hábitos questionáveis)
  3. Métodos duvidosos para conseguir resultados.
  4. Perseguição física e legislação restritiva.

    1. Antídoto:
  1. Usar a Armadura de Deus (Ef 6:10-17).
  1. Se opor as injustiças.
  2. Declarar a verdade.

14 e 15. O Poder do Espírito Santo / o Retorno de Cristo.
      A ação do Espírito Santo é uma condição indispensável para esperar resultados.
      Crer na Volta de Jesus, pessoal e visivelmente, em poder e glória para consumar a     salvação e o juízo.

A. O poder do Espírito Santo é gracioso e contínuo.
  1. O testemunho da Igreja (Jo 16:14).
  2. O Espírito Santo e as quatro etapas de crescimento:
    • Convicção de pecado.
    • Fé em Jesus.
    • Novo Nascimento.
    • Santificação.
  3. O Espírito Santo é um Espírito missionário, logo uma igreja cheia do Espírito Santo é uma igreja missionária.
  4. Para a evangelização mundial é necessária a renovação da igreja pelo Espírito Santo (Sabedoria, fé, santidade, amor e poder).

    1. O retorno de Cristo.
  1. Cremos que Jesus voltará:
    • Pessoalmente (At 1:1).
    • Visivelmente (Ap 1:7).
    • Em poder e glória (Mc 13:26).
    • Para consumar salvação e juízo (Jo 5:21-29, Hb 9:27-28).
  1. Isso é um estímulo a evangelização (Mt 24:14 – então virá o fim).
  1. Duas etapas de Reino:
    • Convidando para o Reino da Graça.
    • Preparando para o reino de Glória.

Conclusão: Compromisso de orar juntos, planejar juntos, e trabalhar juntos pela evangelização de todo o mundo.
1 Stott Comenta Lausanne, pg. 19
2 Idem, pg 46.
3 Esse número inclui muitos que já ouviram o evangelho.

A Responsabilidade Social da Igreja




Texto: Efésios 1. 1-2

Introdução
Como agência do Reino de Deus na terra, a Igreja do Senhor (e isso significa cada cristão, inclusive eu e você) possui uma responsabilidade social. O cristão vive tanto na igreja quanto no seu mundo e tem responsabilidades para com ambos.

A tendência geral da igreja tem sido a de “eclesiastizar” seus membros, tornando-os meros cumpridores de programas ou freqüentadores de reuniões. Em geral, nossa evangelização visa “tirar o homem do mundo”, mas nos esquecemos que devemos devolvê-lo ao mundo, transformado, com novas convicções e novos padrões. Este é o pensamento que transparece em toda a carta de Paulo aos Efésios, onde o apóstolo mostra aos seus leitores que a nova vida que eles receberam em Cristo (capítulos 1, 2 e 3) os obriga a uma nova conduta perante a sociedade (capítulos 4, 5 e 6). Isto significa que a Igreja deve repensar sua atuação na sociedade, como instrumento de transformação da realidade social que a cerca.

O trato deste assunto, tem levado os crentes a se dividirem em três grupos:
 
1. Os que pregam um evangelho espiritualizante, sem se preocupar nem se envolver com questões sociais, acreditando que o ato simplista de “aceitar Jesus” resolverá todos os problemas do indivíduo;
 2. Os que pregam um evangelho social, que se preocupa com os problemas materiais e omite a necessidade de uma conversão verdadeira, que transforme a natureza do homem;
 3. Os que entendem que o evangelho modifica o homem em sua natureza, através da verdadeira conversão, para que este possa influenciar positivamente o seu mundo.

É precisamente neste terceiro grupo que queremos nos posicionar. Desejamos ser igreja que fale à alma sem se esquecer do corpo, e que cuide dos problemas sociais que afligem o homem sem perder de vista a grave realidade espiritual que o escraviza.

 
I – Definindo Termos

Bruce L. Shelley, em seu livro “A IGREJA: O POVO DE DEUS” (Edições Vida Nova) estabelece uma distinção entre Preocupação Social, Serviço Social e Ação Social, que considero importante para nortear nosso estudo acerca deste assunto. Vejamos como ele define cada um desses termos:
 
 “A PREOCUPAÇÃO SOCIAL é uma atitude. É a percepção por parte do Cristão de que a salvação é dirigida ao homem inteiro. Trata-se do reconhecimento da aplicação do evangelho aos ferimentos e fomes do homem, assim como à sua culpa”   “O SERVIÇO SOCIAL refere-se a todos os serviços que as igrejas ou os cristãos prestam a fim de assistir as vítimas de problemas sociais...”   “A AÇÃO SOCIAL é mais ampla. Seu alvo é corrigir as estruturas e processos sociais e políticos de uma sociedade que provocam os problemas...”

A grande maioria das igrejas, e crentes individualmente, demonstra “preocupação social” através da oração pelos problemas sociais que afligem o mundo. Esta preocupação é legítima e incentivada na Bíblia (I Timóteo 2:1-3). Bem menor, porém, é o número de igrejas e crentes que desenvolvem algum tipo de “serviço social”. Este serviço também é incentivado e acha apoio na Palavra, principalmente no exemplo dos primeiros cristãos (Atos 9:36; I Coríntios 16:1-3). O maior problema hoje, entretanto, está na “ação social”. É muito raro ver igrejas ou crentes verdadeiramente envolvidos numa ação social. Em geral a igreja se omite e mesmo desencoraja seus membros acerca de envolvimentos em causas políticas que visem modificar ou mesmo derrubar estruturas injustas. No entanto, esta atitude também está presente na Palavra. Muitos servos do Senhor no passado estiveram envolvidos em ação social, confrontando governantes ou mesmo se rebelando contra governos injustos (Exemplos: Joiada, o sacerdote, que fez aliança com os capitães, para derrubarem a usurpadora Atalia, a fim de estabelecerem Joás como rei de Judá – II Crônicas 23; Daniel, em Babilônia; Neemias, em Judá; José, no Egito; entre outros).

Como igreja do Senhor, somos chamados não apenas a desenvolver uma preocupação social e para prestar serviços sociais, mas também para uma ação social efetiva. Este, porém não é um caminho fácil.

 
II – Fatores que impedem a Responsabilidade Social da Igreja  
Muitos são os fatores que impedem um maior envolvimento da igreja com as questões sociais, e vão desde a falta de compromisso dos crentes até a falta de conversão verdadeira. Porém, dois fatores merecem destaque: o fanatismo religioso e a religião secularizada.
 
A) O Fanatismo Religioso

O homem religioso á aquele que aprendeu a valorizar os significados espirituais que possui dentro de si. Porém, quando esses significados passam a tomar sentido tão elevado, ao ponto de fazê-lo se esquecer ou ignorar as outras áreas de sua vida, surge então o Fanatismo. A isso também chamamos de 
ALIENAÇÃO SOCIAL. Vejamos o caminho que a mente religiosa percorre até se tornar alienada:

1. Ocupação demasiada com atividades que não possuem relação com a vida humana (quando a igreja perde seu tempo e investe esforços em ativismo vazio e improdutivo).
2. O uso da religião como instrumento “mágico” de proteção contra os problemas da vida comum (“Se você for um cristão comprometido e assíduo, nenhum mal vai lhe atingir!”).
3. A hipervalorização das experiências religiosas acima dos demais valores da vida humana (Os pais que obrigam os filhos a freqüentar a igreja, mas nunca dialogam com eles)

A alienação social é ainda motivada por dois fatores: 1º) medo de castigos espirituais caso não sigam todas a orientações da igreja (ou particularmente do seu líder espiritual); e 2º) Fascinação descontrolada pelas coisas espirituais, que impede a pessoa de enxergar outras áreas da vida.

Uma igreja alienada nunca desenvolverá uma mentalidade social, pois sua religião se resume a experiências espirituais vazias (Tiago 1:26,27; 2:14-17)
 
B) A Religiosidade Secularizada

Chamamos de secularização o processo pelo qual a religião tem perdido sua influência em determinados setores da sociedade e da cultura. É a religião em declínio por não exercer influência na vida comum.

Essa falta de influência da religião sobre a vida comum gera uma perda de credibilidade da própria religião perante a sociedade que por sua vez leva àquilo que chamamos de 
CRISE DE PAUSIBILIDADE, ou seja, a mensagem da igreja deixa de ser algo plausível, concreto, motivador de transformações, e passa a ser algo vazio e completamente dispensável.

O maior fator gerador dessa crise de plausibilidade é a restrição do campo de atuação da igreja. Ou seja, quando a igreja se esquece de seu compromisso com a sociedade e seus problemas e passa a atuar apenas no campo individual/familiar (por exemplo: toda a atividade da igreja se resume a visitinhas sociais e reuniõezinhas familiares; o pastor passa a ser um “servidor” das famílias, solicitado constantemente para resolver probleminhas domésticos; etc.).

O grande problema neste ponto é que esses valores “privados” são considerados irrelevantes em contextos institucionais diferentes dos da família (Por exemplo: que relevância tem uma briguinha entre irmãos adolescentes diante de problemas como o abandono de menores, a prostituição infantil e o crescente consumo de drogas entre crianças e adolescentes nas escolas?). Jesus não perdia tempo com probleminhas particulares, porque sua missão era muito mais ampla e urgente (confira: Lucas 12:13-15).

Uma igreja secularizada, cujos membros só se preocupam com seus próprios problemas, nunca desenvolverá uma mentalidade social responsável.

 
III – A Igreja Santa e Socialmente Responsável 

Para desenvolver uma mentalidade social responsável a igreja terá que, primeiramente, evitar tanto o 
FANATISMO quanto a SECULARIZAÇÃO. Isso significa que deve manter a sua santidade sem se tornar socialmente alienada. Evidente que isso não é uma tarefa fácil, porém é possível! Sugerimos algumas atitudes:
 
1. Uma pregação fiel da Palavra de Deus, sem experiencialismos subjetivos;  2. Uma ênfase maior na vida piedosa responsável;  3. A redescoberta e o exercício fiel dos dons espirituais;  4. A busca por uma vida controlada pelo Espírito Santo (em todas as áreas);  5. Uma maior abertura para a discussão das questões sociais que afligem a sociedade.

Superadas essas barreiras (ou pelo menos iniciados esses passos), a Igreja estará pronta para um envolvimento social responsável. Seus membros poderão envolver-se em serviços sociais produtivos e também estarão aptos para uma Ação Social responsável, através de uma influência positiva nas estruturas, capaz de transformá-las em instituições mais justas. Isso vai desde a participação em conselhos escolares, associações de bairro, conselhos consultivos, programas sociais voluntários, até uma participação política efetiva e responsável. Assim a Igreja será verdadeiramente Sal e Luz neste mundo.

quinta-feira, 12 de setembro de 2013

Ensaio fotográfico para o casamento do Evangelista Marcelo Melo

Muito feliz com o ensaio fotográfico para o meu casamento!!! muito ansioso também mas sei que Deus está no controle!!